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12/04/2011
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E sua empresa? Tem carta de referência?

Por Simone Rosa para o RH.com.br

Desde que comecei a trabalhar em RH que uma questão me intriga. As empresas exigirem uma carta de referência dos candidatos no momento da admissão. Situação essa, bastante delicada a meu ver. Conheço empresas que simplesmente não fornecem referências. Já até recebi carta de referência falsificada.

Entre outras situações complicadas. E o que fazer com um candidato que apresenta todas as condições de assumir uma vaga se simplesmente a empresa anterior informa que não dá referências para ninguém? Já vi muitas injustiças sendo cometidas com profissionais qualificados. Já discuti muito o assunto e ouvi muitas vezes: "O diretor não aceita admitir o candidato se não tiver a carta e ponto final".

Agora e se você do RH ouvisse de um candidato na hora da entrevista: "Sua empresa tem carta de referencia?" Responderia o quê? Sinceramente heim, não vale desconversar!

Certamente você viria com um desses discursos sobre a posição que sua empresa ocupa no mercado, sobre a qualidade de seus produtos, sobre seu crescimento nos últimos anos, sobre a tecnologia de ponta utilizada etc., para mostrar ao candidato o quanto sua empresa tem boas referências.

Certa vez ouvi de uma candidata na entrevista final, em vias de ser contratada: Ela disse: "Simone, as pessoas são felizes aqui?". Nem precisa dizer do nó na garganta quando eu fui responder e nem tampouco da dificuldade que tive em responder realmente o que ela queria saber. Não se tratava de números, de posição, não era isso que ela queria saber. O que ela queria eram as referências da empresa. Sabe aquela famosa frase que consta nas cartas de referencia, mas que não diz absolutamente nada? "Não há nada que desabone a conduta moral ou profissional de fulano de tal". Então, era isso. Ela queria a verdade...

E sua empresa? O que poderia falar sobre ela para um candidato que questionasse você? Há algo que desabone sua conduta? Ela respeita seus funcionários? E não estou me referindo aos seus direitos trabalhistas somente, porque estes ela é obrigada a respeitar. Refiro-me ao respeito ao ser humano, às suas dificuldades, às suas incertezas. Ela reconhece o empenho desses seres humanos no trabalho?

Não estou falando de resultados, de números, mas da força de vontade em fazer as coisas acontecerem quando tudo parece estar contra; da capacidade de encontrar soluções para problemas que aparentemente não têm solução alguma; para ajudar um colega que está em dificuldade por mera solidariedade, mas contribuindo com isso para um ambiente mais amistoso, mais amigável. Sua empresa quer ouvir as pessoas? Mas ouvir no sentido amplo da palavra e não apenas através de pesquisas de clima que são transformadas em gráficos que depois vão para gavetas enormes. Falo do interesse genuíno em saber o que os seres humanos que fazem a engrenagem de sua empresa funcionar, permitindo com que ela atinja seus objetivos no mercado, tenham realmente a oportunidade de falar, de perguntar alguma coisa sem que com isso se tornem funcionários mal vistos, aqueles que serão a "bola da vez", porque são questionadores.

Tudo isso lhe parece uma empresa impossível? Talvez.

Mas acredito que nós que trabalhamos em Recursos Humanos precisamos liderar um movimento, ainda que sutil, mesmo que devagar, mas persistente, no sentido de humanizar ou pelo menos tentar tornar mais humanos os processos de nossas empresas. Mesmo que seja um trabalho de formiga. Não podemos compactuar com as injustiças, tomando o errado como se fosse o certo, porque nos acostumaremos com elas de tal forma que nos contaminaremos e acabaremos esquecendo como gostamos de ser tratados.

Tarefa difícil? Muito. Com certeza! Mas quem falou que trabalhar em RH seria fácil?

 

 

Palavras-chave: | recrutamento | seleção | emoção |

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COMENTÁRIOS (8)
Sophia em 14/02/2012:
Olá Simone! Gostei muito do seu texto, como seria bom se todos profissionais fossem assim, encontrei seu site procurando vagas para emprego hospitalar e de repente lembrei-me que teria que pedir uma carta de referencia para meu ultimo trabalho nessa area e comecei a chorar, lembrando que fui mandada embora por "justa causa" há 1 ano. Embora acredite foi algo muito injusto e desumano, vim para SC esfriar a cabeça, fazer novas coisas e agora estou voltando para SP e preciso retomar a minha vida na área que mais conheço, pois ganharia melhor, sou aux administrativo com 4 anos de experiência em hospitais e tenho receio de procurar trabalho e na hora da carta de referencia ser prejudicada, o que eu poderia fazer? Como o RH confirma a veracidade da Carta de Referência?

Marcelo Matt em 10/01/2012:
Simone, gostaria de agradecer pelo artigo. Fez com que eu passasse a vê-los, profissionais de RH, de uma outra forma. Sendo bem sincero, particularmente, eu acho todos os profissionais de RH uns bostas com suas metodologias ridículas de contratação (principalmente ao contratar profissionais técnicos, lógicos, como eu....) mas, ao ler este post, não faz idéia do quanto eu fico feliz de saber que em sua área, ainda existem profissionais iguais a você. Sem palavras, seu artigo, é fantástico e sua pessoa realmente, admirável. parabéns.

André Videira em 02/07/2011:
Simone, seu texto me emocionou. De fato, tudo isso parece uma utopia, a qual ainda esta longe de se tornar vivência, prática. Mas acredito esperançosamente, como seu texto mesmo nos traz esse sentimento de confiança e esperança, que se trabalharmos estes conceitos com as pessoas, gradativamente teremos mudanças substânciais e visíveis, isso em âmbito organizacional, famíliar, social. O relacionamento entre as pessoas, de modo geral está pobre, enfraquecido. Falta empatia entre as pessoas. Parabéns pelo seu trabalho, Simone e parabéns à equipe do RH.com.br, pelos ótimos artigos que publicam. André Videira Aux. de RH - Formedical

Leonardo Souza em 05/06/2011:
MAIS UMA VEZ, PALAVRA EMPREGADAS DE FORMA CLARA E TRANSPARANTE...TUDO QUE NÓS "MEROS PROFISSIONAIS" PRECISAMOS LER PARA QUE CADA VEZ, POSSAMOS REFLETIR E EMPREGAR AS DEVIDAS AÇÕES CORRETIVAS NA NOSSA ROTINA. COMO SEMPRE DIGO, VOCÊ ESTÁ NA CARREIRA CORRETA. OBRIGADO PELOS ÓTIMOS ARTIGOS. QUEM GANHA SOMOS NÓS, LEITORES E ATÉ MESMO OS ADMINISTRADORES DA WEB PAGE ... PARABÉNS!

Ana Lucia em 03/06/2011:
Parabéns, Simone. Muintas empresas realmente esquecem que trabalham com seres humanos. Lúcia.

Ângela Cavalcante em 18/05/2011:
Que matéria limpa! Demonstrou o que sentimos quando estamos em uma organização e TEMOS que acreditar que ela é a melhor (mesmo que não seja). Como contratar um candidato se até mesmo nós do RH vemos que não é recomendável... Gostei muito da matéria. Parabéns!

jucelino joaquim omena da silva em 16/04/2011:
Gostei muito das palavras de Simone Rosa. Ela questionou um sério problema que é a carta de referência. Poucas empresas liberam esse documento que é de fundamental importância os profissionais de RH. Portanto, Simone Rosa, você está de parabéns.

fernando em 15/04/2011:
Gostei da expressão "trabalho de formiga". Se não se importa vou utilizar no meu dia a dia. Realmente existe uma falta de persistência entre muitos profissionais de RH. Ótimo texto!

 
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