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26/09/2011
RH » Recrutamento e Seleção » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

O candidato é um ser humano e não uma peça de quebra-cabeças

Por Simone Cezário para o RH.com.br

Sou profissional da área de RH, com foco em Treinamento & Desenvolvimento e Recrutamento & Seleção, e no período que fiquei em busca de recolocação tive a oportunidade de analisar como andam a estruturação e a realização dos processos seletivos e, independente do porte da empresa, consegui apontar alguns erros gravíssimos que me fez repensar, não só com candidata, mas também com profissional.

Avaliação Curricular - Participei do processo seletivo em uma grande empresa para o cargo de Analista de RH. Depois passar pelas três fases, recebi o email de agradecimento e quando solicitei o feedback com o motivo da reprovação tive uma surpresa, não fui selecionada por não ter experiência em Sistemas de Qualidade. Então, pergunto: "Onde em meu currículo diz que possuo esta experiência?". Responde: "Em lugar nenhum".

Outro caso está relacionado ao local onde resido. Em meu currículo está muito clara a informação de que moro em um bairro na Zona Leste. Pois bem, em outro processo, também depois de passar por todas as fases, não fui selecionada por morar muito longe da empresa. Então, se a distância é item eliminatório, porque me convocaram, já que a informação com o local onde moro está nítida em meu currículo?

Entrevista - Tenho comigo que a entrevista é o momento crucial na escolha do profissional a ocupar o cargo em aberto. Tive duas experiências que muito me preocuparam. A primeira foi uma entrevista com a duração de menos de 15 minutos e neste tempo a preocupação do selecionador não estava em conhecer meu perfil e sim em "vender" a vaga, saí do local sem saber o que pensar.

Em outra empresa, a última etapa de seleção foi a entrevista com o diretor. Entendo que a diretoria costuma ser extremamente ocupada, mas daí a fazer uma entrevista de qualquer modo, isso é preocupante. Pois é, no fechamento de uma vaga importante fui entrevista em 15 minutos e para piorar a situação, enquanto eu falava, o entrevistador simplesmente pegou o celular e fez uma ligação, como se eu não estivesse ali. Imaginem o nível de atenção que ele dispensou para aquela entrevista.

Falsas expectativas - Este item merece muita atenção, passei por diversos processos e em muitos deles o entrevistador deixou-me com a certeza de que havia sido escolhida. Já cheguei a ouvir em uma empresa: "Sua disponibilidade é imediata? Porque você provavelmente receberá uma ligação para trazer seus documentos esta semana". Saí cheia de expectativas e o que aconteceu? Depois de um mês, após diversas tentativas de contato, descobri que a vaga foi preenchida com outra candidata. Aí fica um ponto de atenção para os entrevistadores repensarem o modo que finalizam as entrevistas, para não alimentarem falsas esperanças.

Feedback - Selecionadores, cuidado! Se prometerem, deem retorno. Nesta minha busca por recolocação passei por sete processos e destes, somente duas empresas cumpriram o retorno, mesmo que negativo. Acredito que, pior do que omitir é não responder o candidato, porque de que adianta deixar telefone e email disponível e não responder o contato. Em outras duas empresas enviei email e até hoje não obtive resposta, ou seja, dá para concluir que menos de 50% das empresas retornam ao candidato.

Bem, acredito que estas situações são somente algumas das que acontecem durante os processos seletivos. Hoje estou recolocada, mas aprendi muito nestes dois meses de busca e, com certeza, é necessário ter em mente que o candidato não é uma simples peça que poderá ou não completar o quebra-cabeça de sua empresa e sim, é um ser humano repleto de ansiedades, expectativas e objetivos, e merecem a devida atenção e respeito. Lembrem-se que o momento da seleção é uma conquista na qual as empresas reprovam os candidatos, mas os profissionais também reprovam as organizações.

 

Palavras-chave: | recrutamento | seleção | feedback |

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COMENTÁRIOS (14)
Aline Frigo em 28/05/2014:
Olá Simone, gostei muito do seu texto apesar de eu não ser da mesma área. Estou fazendo inúmeros processos para estágio em engenharia e mais da metade das empresas em que me inscrevo não deu nenhum tipo de feedback. Além de convocar os candidatos para participar de dinâmicas sem dizer para qual tipo de vaga é o processo. Já aconteceu de me inscrever para determinada vaga, ser chamada para uma dinâmica e quando cheguei a vaga era para um outra área bem diferente da minha. Mas o pior problema mesmo é a falta de retorno, que quando vem é um simples "sinto muito você não se encaixa no perfil da empresa". Acredito que os candidatos como pessoas merecem algo melhor depois de fazer todas as etapas que o recrutador exige.

Daniel Carlos Celestino em 22/03/2013:
Todo candidato que está participando de processos seletivos deveria ler e refletir nesse texto e ser perseverante até conseguir uma recolocação.

Carlos em 27/06/2012:
Simone, achei excelente a sua publicação! Sou pós-graduado em RH, sendo que nunca atuei como profissional da área de recursos humanos. Tenho vivência em gestão de pessoas e já recrutei profissionais. O que percebo é que há muito despreparado para conduzir uma entrevista profissional. Depois de sete anos de uma carreira bem sucedida em uma empresa de grande porte, pedi demissão há um mês após ser vítima de uma grande falha que a profissional de RH cometeu comigo em um processo de seleção interna. Concorri a uma vaga, fui aprovado, mas a prática foi muito diferente das atribuições propostas. Enfim... neste mês participei dos processos para empresas de grande porte. Numa era para uma vaga de gerente, mas que na verdade seria mais um supervisor e espécie de secretário da diretoria. Não entendi por qual motivo à vaga foi aberta como Gerente se na prática as atividades seriam 70% operacionais. Pelo menos recebi um e-mail de agradecimento e informando que naquele momento não houve aprovação. Mesmo que houvesse, eu recusaria... Na outra estava bem claro que só aceito propostas para trabalhar em São Paulo. Mesmo assim a recrutadora entrou em contato e eu aceitei ouvir a proposta para trabalhar em Alphaville. O processo foi muito bem conduzido, mas fiquei de receber um feedback até sexta-feira passada e nada. Cobrei um feed por e-mail, mas não me responderam. Enfim, você coloca tempo, dinheiro com transporte, expectativa, é obrigado a escrever tudo o que está no currículo naquelas fichas de seleção das empresas e muitas vezes não é tratado com o devido respeito. Um ex-chefe me disse uma frase que é a mais pura verdade: "Quando você for participar de uma entrevista, avalie como será tratado desde o momento da recepção até a resposta à sua participação no processo. A forma como te tratarem é a forma que você será tratado na empresa".

Rosa em 23/03/2012:
Realmente o artigos Falsas expectativas e o Feedback, estão sendo esquecidos pelas empresas de RH, que acho falta de consideração das empresas, pois fazem delas um fundo de quintal neste quesito.

Marcela em 21/03/2012:
Realmente Simone, estou passando por isso desde janeiro deste ano. São lamentáveis esses profissionais que não te dão retorto algum, e ainda nem sabem analisar um currículo como forma de pré-requisitos. É uma pena, pois acredito que nós, da área de RH, estamos sendo prejudicados, além de que existem profissionais de RH, se vendendo por salários baixos, e nós que temos certas experiências e habilidades, somos colocados para trás.

Udineth Francisaca Pereira em 16/02/2012:
Simone, atualmente faço o 4º semestre de Rh, e tenho sentido na pele, as atitudes das agências de emprego, já faz mais de dois meses que enviei currículo para uma na minha cidade e nunca fui chamada nem para fazer uma entrevista. Certo dia me dirigi até a tal agência, senti um pouco caso da colega a qual está também cursando o RH, isso me deixa muito triste, pois penso se com nós que estamos nós preparando para este mercado de trabalho fazem o que fazem, imagina com as pessoas menos providas de conhecimentos. Onde acredito que nós gestores de RH temos que fazer a diferença nesse campo tão bitolado de idéias antigas e sem visão.

Roseli em 30/01/2012:
Gostei de ler o seu artigo e realmente concordo e muito com você no que se refere a processos seletivos, onde o selecionados tá preocupado em vender a sua vaga e não com o candidato, ja perdi a conta de enviar curriculo pelos sites de recrutamento e as empresas nem sempre correspondem. Acho infelizmente que devido a grande número de pessoas desempregadas e baixa escolaridade, este pessoal fazem o que quer fora as exigências absurdas no que se refere a preenchimento de vaga, principalmente quando restringe num de conduções, localizaçao etc.

Yam Coutinho em 04/01/2012:
Boa tarde. Eu, como graduanda em RH, e também como pessoa que está na busca do emprego, me deparo muito com isso..Recrutadoras que dizem que vão me dar um feedback e não o fazem. Recrutadoras que não tem sequer o trabalho de ler o nosso curriculum, para assim evitar desperdício de tempo (nosso e deles), e gastos desnecessários de ambas as partes. Não custa muito tempo enviar um email padrão com CCO para todos que não foram selecionados, para que assim eles(nós) não fiquemos na expectativa e na dúvida.

Marta em 11/10/2011:
Sou formada em Gestão de RH e lembro-me de algumas colegas de classe dizerem que enquanto estagiavam em uma empresa, costumavam apagar os e-mails de uma mesma pessoa que enviasse o currículo mais de uma vez. Achei isso tão cruel! Às vezes nem ao menos olhavam o e-mail. Mas sabemos que isso é muito comum. Triste realidade...

Erica Daniele dos Santos em 07/10/2011:
Simone, este artigo me elucidou muito sobre a melhor forma de abordar recrutadores que não me passaram um feedback factível sobre entrevistas. Muito bom, e como disse a Lívia, 50% das empresas deveriam ler isso. A empresa de RH que me reprovou hoje, em um processo (para mim, mera triagem) que durou 10 minutos em uma sala com 20 pessoas, saberá que não houve processo de fato. Ao que parece, os recrutadores sequer lêem os currículos, pois fazem as mesmas perguntas que já dispomos lá e nos avaliam por essas mesmas informações. Se for desta forma, é melhor que o candidato perca seu tempo em casa, se inscrevendo em outras vagas, do que em uma empresa que não se faz séria em seus processos. Obrigada e este site já está nos meus favoritos!

Daniela de Fátima Paiva em 05/10/2011:
Este artigo retrata a realidade do RH da maioria das empresas do país, realizam as entrevistas e não retornam mesmo que o resultado seja positivo ou negativo. Nós, seres humanos, merecemos a devida atenção desde a avaliação curricular até no momento final o feedback. Infelizmente as empresas deixam a desejar neste quesito.

Lucilene Rossi em 05/10/2011:
Simone, parabéns pelo artigo! Também sou profissional da área e me preocupo com esse tipo de situação. Em R&S, costumo dizer que estamos lidando com vidas, sonhos e futuro, por isso concordo inteiramente que devemos ter cuidado, atenção e transparência ao lidarmos com um assunto tão sério para a empresa e para os candidatos. Infelizmente, como em toda profissão, existem profissionais que não se importam ou que estão atuando por razões que não sejam afinidade e amor a profissão, cabe a nós que temos essa consciência, continuarmos a fazer um trabalho respeitoso e buscando manter a boa imagem dos verdadeiros profissionais de RH! Um grande abraço e muito sucesso!

DIANDRA NASCIMENTO em 02/10/2011:
Caros, as situações colocadas aqui também tive o desprazer de viver. Ainda bem que tive a sabedoria e o entendimento de superar e me tornar um ser humano e uma profissional melhor. E quanto as pessoas que estão a frente dessas empresas sem postura, respeitem seus candidatos! Você também já esteve do outro lado.

Livia em 01/10/2011:
Eu concordo plenamente com a Simone! Se as empresas estão com dificuldades em achar a mão de obra necessária, se a demanda é grande e não conseguem dar conta, tem muitos profissionais no mercado a disposição para ajudá-los. De 10 entrevistas que fiz, 2 responderam e isso é muita falta de respeito com o candidato. A pouco, tive essa experiência: fiz uma entrevista, no mesmo momento, já marcaram com a consultora da área, fiz a entrevista com ela, recebi 3 emails positivos que eles tinham gostado de mim e um mês depois selecionaram outro candidato. Selecionadores, NÃO DEEM FALSAS ESPERANÇAS PARA OS CANDIDATOS!!! Como a Simone falou, somos seres humanos e vocês, quase sempre psicólogos, deviam ter esse cuidado com isso. Envolve uma série de questões como ansiedade e vontade de trabalhar logo. Ninguém gosta de ficar desempregado. Simone, gostaria que 50% das empresas lessem esse seu artigo e que pelo menos tentassem mudar os critérios de avaliação e que dessem retorno aos candidatos. Obrigada!

 
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