Por Kattiuscia Ribeiro de Oliveira para o RH.com.br 
Na primeira semana de setembro (dias 02 e 03), aconteceu em Goiânia a 3ª edição do ABRH na Praça. Tive a oportunidade de participar como voluntária, o que para mim foi gratificante e revelador. O evento contou com a participação de mais de 8 mil pessoas, que puderam verificar vagas de emprego, cadastrar seus currículos, participar de palestras e conhecer stands da varias empresas.
Como minha participação foi na monitoria pude realizar a triagem dos currículos e orientar o público. Foi assim que passei a observar o perfil, as perspectivas e os objetivos das pessoas com as quais conversei. Através dessa observação identifiquei algumas situações que chamaram muito minha atenção e sei que para os profissionais de RH são situações que pesam muito no momento da seleção. Dentre varias observações vou citar alguns fatos que foram bastante comuns.
- As mulheres mostram-se mais seguras e confiantes ao buscar um novo emprego.
- As pessoas da 3ª idade estão cada vez mais em busca de qualificação e a maioria procura emprego em áreas diferentes daquelas que atuavam antes da aposentadoria.
- Aproximadamente 70% dos candidatos não sabem exatamente sua pretensão salarial ou o salário base da sua categoria profissional.
- O email, para muitos, é primeiramente uma ferramenta de relacionamento social e para alguns nem é visto como importante.
- Cerca de 50% dos abordados estavam recebendo o Seguro Desemprego e desses a maioria já iria entrar na parcela final.
- O uso do currículo mostrou-se como uma forma de pedir emprego e não um histórico profissional das qualificações do candidato.
Ao observar essas situações preocupou-me bastante o fato de que em um evento com uma relação oferta X procura tão variada (8 mil possíveis candidatos para 3 mil vagas de emprego), cerca de 30% das vagas não seriam preenchidas.
Quando me deparo com situações como essas, percebo que as pessoas às vezes erram em coisas simples, mas que fazem toda a diferença para uma contração. Foi o caso, por exemplo, de uma estudante do 6º período do curso de Administração que afirmou possuir cursos em três idiomas diferentes e no nível avançado, mas não tinha a mínima ideia em que queria trabalhar ou quanto poderia vir a ganhar.
Para os profissionais de RH estar atentos à elaboração de um currículo é o principal fator de sucesso para o processo seletivo. Percebemos que muitas pessoas estão preocupadas em conseguir um bom emprego e um bom salário, porém no momento da entrevista - cara a cara - verificamos que o discurso escrito é muito diferente do profissional real. Nesse sentido, preciso enfatizar que todas as atitudes do entrevistado e as informações contidas num currículo passam a ser relevantes para concretizar uma contratação.
Quando os profissionais de RH analisam o currículo estão, primeiramente, separando o perfil exigido pela vaga para posteriormente escolherem o perfil ideal. Então, essa ferramenta é o primeiro contato com o futuro colaborador. Se esse profissional souber trazer para a realidade o que se encontra no papel, podemos dizer que ele terá muita chance de ser um novo contratado.
Vou indicar algumas atitudes que considero importantes para abrir caminhos no mercado de trabalho, pois fazem grande diferença tanto no momento da seleção do currículo e quanto na contratação do profissional.
1. Se você é realmente bom em alguma coisa (programação em Java, plantar flores, gerência financeira ou servir café), aprimore-se nisso. Não saia atirando para todos os lados, pois o mercado só absorve quem sabe fazer com excelência.
2. Emprego pode ser temporário, mas carreira é investimento. No mercado o seu valor profissional é proporcional ao seu autoinvestimento. Imagine uma pessoa que ganhe um salário mensal de 10 mil reais. No mínimo, essa pessoa gastará 30% desse valor em aprendizado, pois sua função vai exigir maior conhecimento. Invista na sua carreira com cursos, seminários, livros, revistas, jornais e tantas alternativas que favorecem o desenvolvimento profissional.
3. Avalie seu currículo. Ele precisar ser enxuto e resumido. Um bom currículo deve contemplar o que você sabe fazer, por onde você já passou (descrição do cargo), além do contato para checagem das referências. Mantenha no cabeçalho seu nome completo, idade, telefones para contato, email e endereço residencial. Foto só é relevante se a vaga exigir.
4. O email deve ser um canal para localizá-lo. Portanto, deve ser curto, sem apelidos ou com excesso de caracteres. Nunca forneça emails como: fulano_beltrano_da-silva@email.com ou florzinharosadocampodelirios@email.com, pois não transmitem credibilidade ou são muito longos. Se for preciso crie duas contas, uma profissional e outra pessoal, mas não deixe de fornecer seu email.
5. Aparência pessoal não está relacionada à beleza de modelo. Refere-se também ao seu jeito de vestir, comportar-se e apresentar-se perante as pessoas. Mantenha sempre o cabelo bem arrumado (mesmo que seja preso), pele limpa (com maquiagem discreta), barba bem feita e use roupa de acordo com o seu biótipo (magrinha ou gordinha). Não precisa vestir-se como madrinha/padrinho de festa. Descrição e simplicidade são as melhores combinações para quem quer ser elegante.
6. Seguro Desemprego não é descanso remunerado! É vergonhoso verificar que alguns candidatos desistem da vaga com carteira assinada, para ficar em casa por quatro ou seis meses sem perder o beneficio. Vá à luta e diga adeus ao comodismo. E o mais grave, receber benefício do governo sem necessidade é crime.
Essas atitudes não precisam ser tomadas todas de uma vez, mas é bom começar o quanto antes. Não deixe que pequenas falhas prejudiquem seu futuro profissional, pois o RH de hoje está mais atento e exigente a tudo que você diz e faz.
Sucesso!
Palavras-chave: | mercado de trabalho | crescimento profissional |



