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12/09/2011
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As peculiaridades de uma seleção focada na geração Y

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

A diversidade que se apresenta no campo corporativo revela que as empresas precisam adaptar-se aos constantes processos de inovação que se apresentam numa velocidade cada vez mais rápida. Isso, vale ressaltar, não é restrito apenas às ferramentas oferecidas pela Tecnologia da Informação, mas também pelo universo de talentos que busca conquistar espaço e alcançar uma ascensão promissora na carreira. Dentro desse contexto, encontram-se os profissionais pertencentes à geração Y (aqueles que nasceram a partir de 1978) e que possuem peculiaridades visíveis como, por exemplo: ver o ambiente de trabalho como um convite a desafios e à diversão; preferência para atuar em um ambiente informal e que lhes ofereça liberdade para expressar suas ideias; expectativa de que as organizações reconheçam seus valores; total abertura ao trabalho em equipe, além do foco em promoções rápidas, pois sabem que o tempo não vai esperar por eles.
Somando-se a isso, as organizações se deparam com uma incógnita: como formar equipes eficazes que agreguem colaboradores das gerações Baby Boomers (os nascidos no período compreendido entre os anos de 1946 a1964), X (quem nasceu entre 1965 e 1977) e os "Ys"? A resposta pode ser encontrada logo no primeiro momento em que a geração Y mantém contato com a organização, ou seja, durante o processo de Recrutamento & Seleção. Segundo Fábia Barros, psicóloga que recentemente assumiu a gestão da equipe e dos projetos da área de Jovens Profissionais da Across, consultoria de RH, hoje existem ferramentas que facilitam o selecionador identificar se o futuro colaborador da geração Y tem ou não boas chances de ser adaptar à cultura e agregar valor ao negócio. "Normalmente, essas atividades possuem foco em questões relacionadas às competências como entrevistas pessoais, dinâmicas de grupo, etapas online com provas de inglês e raciocínio lógico, mapeamento e aderência cultural", comenta. Em entrevista ao RH.com.br Fábia Barros assinala ainda que os processos de R&S que captam esses "inquietos talentos" sempre devem envolver atividades inovadoras que enfatizem o lado comportamental dos candidatos. Se você realiza ou pretende conduzir uma seleção direcionada à geração Y, confira a entrevista na íntegra e tenha uma ótima leitura.


RH.com.br -
A geração Y possui características próprias e isso impacta, direta ou indiretamente, na forma de lidar com esses profissionais. Isso também é perceptível durante os processos de R&S?
Fábia Barros - Podemos afirmar que são características perceptíveis e latentes desta nova geração que tem maior poder de argumentação. São profissionais mais questionadores, arrojados e buscam feedbacks constantemente como forma de aprimorar seu desenvolvimento. Aliado a outros fatores, isso torna os processos seletivos diferentes daqueles, geralmente aplicados na antecessora geração X.


RH -
As organizações encontram-se atentas às peculiaridades que envolvem os processos seletivos direcionados aos profissionais da geração Y?
Fábia Barros - Observamos que os processos seletivos estão cada vez mais inovadores e atrativos. O que ainda preocupa o mercado é a pós-contratação, ou seja, as estratégias de acompanhamento e de desenvolvimento para reter esses talentos. Algumas empresas, por exemplo, não possuem a cultura de programa de trainees e isso, por sua vez, dificulta bastante o relacionamento e o papel das lideranças em relação a esses jovens. Outro fator que se evidencia é o comportamento de outros níveis dentro da organização que se sentem ameaçados diante da presença da geração Y.


RH -
Uma seleção focada em profissionais pertencentes à geração Y possui diferenciais em relação a outros processos seletivos que envolvem candidatos mais experientes?
Fábia Barros - Os profissionais da geração Y ainda não possuem um currículo com experiências e qualificações. O processo seletivo para este tipo de público é focado quase que na sua totalidade nas competências comportamentais. Através, por exemplo, de atividades coletivas e individuais observa-se as posturas, as gestões dos conflitos e identificar os potenciais a serem desenvolvidos dentro das organizações. Parte-se, então, do princípio que ter candidatos dotados de comportamentos aderentes à organização, fica muito mais fácil desenvolver o conteúdo técnico, ou seja, aquele que pode ser ensinado.


RH -
Existem ferramentas específicas para realizar uma seleção desses jovens talentos?
Fábia Barros - Sim, existem. Trata-se de atividades que possuem foco em questões relacionadas às competências como entrevistas pessoais, dinâmicas de grupo, etapas online com provas de inglês e raciocínio lógico, mapeamento e aderência cultural, entre outras. Vale salientar que essas atividades sempre são realizadas de forma inovadora, preferencialmente tendo a internet como principal meio de relacionamento e participação das atividades propostas.


RH -
Quais os principais cuidados que um selecionador deve ter ao iniciar um processo para a contratação de profissionais pertencentes à geração Y?
Fábia Barros - O primeiro passo a ser dado pelo selecionador é entender se a empresa está preparada para receber esta nova geração, ou seja, se possui lideranças para trabalhar com esses talentos. Outro fato relevante nesse tipo de seleção é identificar se a organização está preparada para promover um plano de comunicação consistente e, na sequência, pensar nas ações que ocorrerão na pós-contratação com vistas a acompanhar, desenvolver e reter estes profissionais.


RH - Durante a entrevista o que nunca deve ser deixado de lado, quando o selecionador direciona seu trabalho aos jovens?
Fábia Barros - Para este tipo de processo seletivo é importante questionar com os candidatos sobre como eles se relacionam pessoalmente e de que forma fazem isso, tentar conhecer sua estrutura familiar - como lidam com os familiares e se há estabilidade, quais são seus hobbies, os seus valores, como ocupam o tempo disponível, se existe envolvimento em ações culturais, sociais, por exemplo. O selecionador pode, também, pedir para o candidato falar um pouco sobre a vida, o dia a dia e não apenas sobre as questões e qualificações profissionais. Todo esse processo deve ser realizado sem pressão, é importante enfatizar.


RH - Atualmente, qual a dificuldade em mais evidência quando se realiza uma seleção para profissionais da geração Y?
Fábia Barros - Como esta geração não possui muita experiência ou bagagem profissional, os processos seletivos devem aprofundar-se nos aspectos comportamentais.


RH -
Quais as principais competências comportamentais que as organizações buscam nos jovens talentos?
Fábia Barros - As principais competências comportamentais que as organizações buscam nos profissionais pertencentes à geração Y são aquelas que se encontram em evidência em vários processos de seleção como, por exemplo: liderança, autoconhecimento, criatividade e empreendedorismo, relacionamento interpessoal, visão e planejamento estratégico.


RH - E o que mais os profissionais da geração Y esperam das empresas que os contratam?
Fábia Barros - Hoje, é perceptível que a geração Y busca receber o feedback, necessita de ferramentas que lhe proporcionem o desenvolvimento. Eles querem ser escutados e considerados. Consequentemente, isso resulta na necessidade de precisarem ser reconhecidos e se sentirem parte do negócio e da organização como um todo.


RH - Quais suas expectativas para os jovens em relação ao mercado de trabalho?
Fábia Barros - De forma objetiva, o mercado espera que estes profissionais tragam jovialidade, dinamismo, agilidade mental, inovação e arrojo. Já o jovem espera desenvolver-se na maturidade, reduzir seu grau de ansiedade e estar "pronto" em curto período de tempo.

 

Palavras-chave: | Fábia Barros | geração Y | recrutamento | seleção |

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COMENTÁRIOS (4)
Meri Paixão em 13/10/2011:
Desculpe-me, mas penso que uma pessoa com mais de 30 anos não pode ser considerada um jovem da Geração Y. Sei que há vários cronogramas sobre essa geração. Ao meu ver vejo a Geração Y aqueles que nasceram entre 1990 ao ano 2000, pois os que nasceram após 2000 serão a próxima geração, a Z. Trabalho com Jovens Aprendizes (17 à 23 anos), eles sim tem um comportamento da Geração Y.

Teresa Ribeiro em 25/09/2011:
É por aí mesmo...Parabéns pela entrevista! Sou especialista em R&S e estou atenta às mudanças externas, porém uma coisa que me preocupa muito é a continuidade dessa atenção após o processo de seleção dentro da empresa. Ser transparente no processo com o candidato é a chave do sucesso. Um grande abraço.

Leandra Mara Costa da Silva em 15/09/2011:
Essa matéria é excelente, tudo o que foi dito é o que acontece comigo na integra. Quero oportunidades de crescimento, estou me preparando para as mesmas, mas a empresa está com dificuldades em perceber minhas habilidades e competências ou não quer gastar tempo com treinamentos da rotina do trabalho. Sou recepcionista da empresa e faço faculdade de Administração de Empresa.

Elisangela Piasentini em 14/09/2011:
Parabéns, muito bom o conteúdo abordado, sinto que é isso mesmo a GY está aí. Contudo, pronta para qualquer desafio, a dificuldade é encontrar os que realmente possuem responsabilidade, mas depois de identificado, temos na mão a chance de inovação para a organização.

 
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