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23/09/2013
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Dinâmica de grupo: uma ferramenta que revela competências dos candidatos

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Chega o momento de contratar um novo talento para suprir as necessidades da organização. Essa tarefa poderia até ser considerada relativamente fácil, mas para que assume o papel de selecionador, sabe que essa nem sempre é uma atividade simples de ser cumprida. Afinal, se o profissional contratador não atender às expectativas da empresa, um novo processo de recrutamento e seleção terá que ser realizado e isso significa desperdício de tempo e de investimento.
Para tornar a seleção mais assertiva, os recrutadores recorrem muitos recursos como, por exemplo, as conhecidas dinâmicas de grupo que quando bem aplicadas podem propiciar aos responsáveis pela seleção a oportunidade de conhecer os aspectos comportamentais de cada candidato. Para falar sobre essas valiosas ferramentas, o RH.com.br entrevistou Luíza Lopes, analista de RH Sênior da People On Time Consultoria em Recursos Humanos. Segundo ela, dependendo da finalidade e da intenção de cada dinâmica de grupo, esta pode revelar como o candidato se comporta em uma dada situação. "Além disso, o selecionador pode, ainda identificar a postura do candidato, sua capacidade de argumentação e entendimento de tarefas, sua desenvoltura no trato com outras pessoas, sua preocupação com o tempo e a qualidade de suas entregas", complementa. Se você ainda tem interesse sobre o assunto, confira a entrevista com Luíza Lopes e veja como as dinâmicas de grupo podem ajudá-lo no momento de selecionar novos talentos. Boa leitura!



RH.com.br - Qual o papel das dinâmicas de grupo, no contexto dos processos seletivos?
Luíza Lopes - A dinâmica de grupo tem como finalidade propiciar aos responsáveis pela seleção a oportunidade de conhecer os aspectos comportamentais mais relevantes de cada candidato bem como quais competências, consideradas fundamentais para o processo em questão, o candidato apresenta com maior ou menor desenvoltura.


RH - O que essas atividades podem revelar sobre o candidato?
Luíza Lopes - As atividades, dependendo da finalidade e da intenção de cada uma delas, podem revelar como o candidato se comporta em uma dada situação, sua postura, sua capacidade de argumentação e entendimento de tarefas, sua desenvoltura no trato com outras pessoas, sua preocupação com o tempo e a qualidade de suas entregas. Cada atividade estimula no candidato um padrão de respostas e permite ao avaliador, de acordo com as competências pré-determinadas, considerar se o candidato soube ou não, e em qual intensidade se sobressair e superar os desafios impostos na proposta da atividade.


RH - Em que fase do processo de seleção a dinâmica de grupo deve ser utilizada?
Luíza Lopes - Não existe uma regra. O lugar da dinâmica de grupo dentro de um processo seletivo dependerá da sua finalidade, ou seja, do que os avaliadores pretendem com essa ferramenta. Usualmente, a dinâmica de grupo fica compreendida entre as etapas de triagem de currículos, etapas on-line e as etapas com a presença dos gestores e dos representantes da empresa contratante. A escolha desse lugar, como uma etapa intermediária, permite que se conheça melhor o candidato em questão antes de dar prosseguimento com o mesmo.

 

RH - Não são raros os casos de profissionais que participam de dinâmicas e se sentem deslocados, pois acreditam que participaram de atividades sem valor. Por que isso ocorre?
Luíza Lopes - Tornar a dinâmica de grupo uma atividade prazerosa e carregada de sentido e coerência é uma tarefa dos avaliadores e de extrema importância para se alcançar os melhores resultados com a utilização dessa ferramenta. É preciso que o recrutador tenha total entendimento e controle dos objetivos da dinâmica escolhida e consiga estabelecer uma atmosfera de confiabilidade com os participantes para estimular neles a melhor interação e a maior produtividade. Uma dinâmica mal conduzida pode sim gerar o desconforto dos participantes e a sensação de que ela não possui valor ou sentido.


RH - Quem está apto a conduzir um processo de dinâmica de grupo?
Luíza Lopes - A condução de uma dinâmica de grupo é geralmente responsabilidade de um psicólogo ou outro profissional que tenha se especializado e se certificado nessa área. Uma dinâmica de grupo pode contar também com observadores que podem ser da área de Recursos Humanos da empresa ou mesmo da área contratante. Porém, vale ressaltar que o papel deles é de acompanhar e observar, o recrutador responsável é sempre quem orquestra as ações que permeiam essa atividade.


RH - Antes de iniciar a dinâmica, o recrutador deve conversar sobre o objetivo do processo ou isso interferiria nos resultados?
Luíza Lopes - Conversar sobre os objetivos do processo de forma sucinta e objetiva não interfere negativamente nos resultados, pelo contrário, pode trazer a segurança necessária para que o candidato compreenda o que acontecerá com ele nas próximas horas. Essa conversa deve esclarecer que o objetivo de uma dinâmica é sempre conhecer melhor seus participantes e avaliar se eles se encaixam ao perfil de profissional que se está buscando, lembrando que não existe o melhor nem o pior e sim aquele que no momento e para a determinada função, possui os atributos esperados. Outro ponto importante que pode ser acrescentado nessa conversa é a agenda do dia, ou seja, especificar quais serão as atividades desenvolvidas e o tempo médio previsto para cada uma delas. Todas essas informações podem contribuir para que o candidato possua um norte e não se sinta perdido.


RH - O que é considerado fundamental durante a aplicação de uma dinâmica de grupo?
Luíza Lopes - Uma dinâmica de grupo eficiente requer um conjunto harmônico de fatores tais como: o total controle e entendimento dos objetivos dessa proposta pelo recrutador, bem como seu preparo e olhar concentrado nas características e competências a serem avaliadas; o alcance de uma atmosfera de confiança dos participantes na condução do avaliador; a dinâmica deve conter propostas claras e objetivas para o cumprimento de metas coletivas e individuais e deve permitir que os candidatos encontrem espaço para a criação, a inovação e a articulação de novas ideias dentro da proposta original.


RH - O que nunca deve ocorrer nesse tipo de atividade?
Luíza Lopes - Deve-se tomar um extremo cuidado para que as atividades envolvidas em uma dinâmica de grupo não exponham seus participantes a situações que possam constrangê-los, seja ela em relação à sua raça, orientação sexual, classe socioeconômica ou de qualquer outra natureza. A dinâmica de grupo é um espaço democrático e deve ser livre de preconceitos e manifestações que limitem ou coajam qualquer um dos participantes.


RH - Quais os cuidados que o selecionador deve ter, ao escolher uma determinada dinâmica?
Luíza Lopes - Ao selecionar uma dinâmica o recrutador, o avaliador deve ter claro o objetivo a ser alcançado por esta proposta e se a mesma está compatível com as competências que deverão ser avaliadas a partir das especificidades da vaga em questão. Buscar uma proposta inovadora é sempre um desafio para a consultoria, mas também se torna o seu diferencial de mercado.


RH - Hoje, quais são as dinâmicas de grupo mais utilizadas para revelar aspectos comportamentais dos candidatos?
Luíza Lopes - São infinitas as combinações de atividades em uma dinâmica de grupo. Tem-se apostado bastante na utilização de jogos empresariais e de estratégia.


RH - Durante o transcorrer da dinâmica de grupo, o líder da área solicitante pode se fazer presente ou isso não é aconselhável?
Luíza Lopes - A presença do líder da área solicitante pode ser bem aceita em uma dinâmica de grupo desde que fique muito claro qual é o seu papel nessa etapa, ou seja, a de observador. Acompanhar de perto os fenômenos e os comportamentos que permeiam essa atividade pode garantir ao gestor elementos muito significativos para a sua condução nas etapas finais do processo seletivo. O seu olhar sob cada candidato ficará mais completo e a sua escolha se tornará mais consistente.

 

Palavras-chave: | Luíza Lopes | dinâmica de grupo | captação | talento | competência |

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COMENTÁRIOS (5)
Audrey em 17/12/2013:
Muito interessante discutir a importância da dinâmica de grupo em um processo seletivo. Acredito que o recrutador deve conhecer claramente os objetivos da atividade e ter competências técnicas para aplicá-la. Além do que, penso ser importante realizar um feedback coletivo no final da dinâmica e relacionar seu conteúdo com a realidade da empresa e com as tarefas exigidas para o cargo que se deseja preencher.

Cristiane em 10/10/2013:
Uso a dinâmica de grupo como uma das ferramentas do processo seletivo, para poder, junto com outras ferramentas (como testes e entrevistas), confirmar as competências que a vaga pede. Parabéns pela matéria!

Sidenir Paulo Godinho em 27/09/2013:
Penso que uma dinâmica não é o suficiente para se classificar ou desclassificar alguém de um processo seletivo, pois dependendo da situação imposta, o candidato pode usar de simpatia ou empatia, ou ainda de coerência e o avaliador considerar isso defeitos. Falo porque já vivi isso, dos dois lados. E quando participei como candidato, senti que a dinâmica não tinha sentido algum. Quando apliquei como recrutador não consegui chegar a melhor pessoa para a vaga que dispunha. Penso que uma conversa com o candidato se for externo a organização, pode revelar mais que a dinâmica. E quando o candidato for interno, uma conversa e a observação por um ou dois meses, do candidato, pode ser a melhor opção.

Midiã Santana em 27/09/2013:
O início da dinâmica de grupo precisa ser bem explicada aos candidatos, assim é possivel extrair caracteristicas necessárias ao cargo que irá assumir. A presença do observador ajuda no trabalho do avaliador, pois as caracteristicas levantadas podem ser analisadas no momento posterior a dinâmica diminuindo os erros na contratação. Parabéns

Arnalfo Messias em 26/09/2013:
Gostei muito da entrevista por sua clareza e pertinência. Vou tomar a liberdade de encaminhar para minha empresa, pois, é um dos métodos mais utilizados para ascensão profissional.. Obrigado!!

 
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