No casamento tradicional o que realmente contava era o respeito, a segurança e a continuidade da família. A história nos deixa registros de que uma das grandes finalidades do casamento tinha haver com questões econômicas, pois não deixavam de reforçar sistemas de alianças, como ter filhos e garantir a velhice, já que de fato o objetivo do casamento não era o prazer, mas a segurança e o cumprimento de papéis sociais previstos.
Para o casamento “extraconjugal” o que interessa é o prazer, o amor (eterno enquanto durar), as alegrias, a satisfação sexual. Desta forma, podemos fazer uma breve reflexão sobre o casamento “extraconjugal”. Para melhor entendermos, segue a letra da música “Já Sei Namorar”, dos Tribalistas (Marisa Monte, Carlinhos Browm, Arnaldo Artunes).
Já sei namorar
Já sei beijar de língua
Agora só me resta sonhar
Já sei aonde ir
Já sei onde ficar
Agora só me falta sair
Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para a solidão
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo é meu também
Nas estrofes acima, percebe-se que o objetivo principal deste casamento é o grau de satisfação que pode ser obtido enquanto durar a relação. Mesmo que o casamento possa combater o tédio, a ansiedade ou a solidão, este casamento abomina a relação pela segurança, seja econômica, seja social. De acordo com essa relação, o importante é o que se ganha com a satisfação e o prazer.
No mundo corporativo podemos visualizar isso perfeitamente, pois as pessoas não buscam somente a segurança e as condições econômicas para a sobrevivência. Elas procuram o prazer constante, a alegria, a satisfação, o contato com o outro.
A necessidade de se sentir bem em seu ambiente de trabalho, deve-se ao fato de que o trabalho é uma “extensão da nossa casa”, pois passamos mais tempo nele do que propriamente em nossas casas.
Através da música dos Tribalistas, podemos também fazer um questionamento referente aos treinamentos, ao desenvolvimento de pessoal, do investimento da educação continuada dos colaboradores, já que a qualquer momento eles podem correr para o concorrente. Desta forma, onde fica todo o investimento colocado pela empresa no colaborador com essa relação instável?
Antes dos anos 80 e 90, as pessoas ficavam nos seus empregos até que a aposentadoria os separasse. No mundo atual, nada é para sempre e a continuidade depende de uma negociação permanente entre os dois lados, e para alertar, pode ser interrompido a qualquer momento, basta haver desinteresse ou outra ligação mais forte e mais interessante. Mas isso não significa, que tenha desaparecido o desejo de uma relação estável entre as pessoas, tanto no trabalho quanto na relação amorosa.
Estamos na era dos concursos públicos, um mercado que cresce aqui no Brasil, em meio a turbulências e incertezas. Não estaríamos num grande paradoxo? Pois onde irá ficar o prazer, o bem-estar, a alegria, se as vagas abertas em concursos públicos geralmente não condizem com a maioria das formações acadêmicas dos candidatos que provavelmente realizarão sua formação pela paixão à profissão?
Será que não seria um caso para os gestores de Gestão de Pessoas pensarem na amplitude de um mercado de consultoria nas organizações públicas? Vê-se que não é somente a segurança econômica, a sua estabilidade que é relevante, pois o trabalho edifica o homem e quando é feito com prazer e alegria elimina as grandes atitudes negativas provocadas pela desídia.
Acredito que a maioria dos seres humanos está procurando o casamento perfeito, tanto na relação amorosa quando na relação do trabalho. Relacionamento este que contenha as características de segurança econômica, estabilidade, prazer, alegria, amor e prazer sexual ou profissional. Contudo, estamos vivendo num “mundo sem coração” onde os nossos valores, princípios e crenças precisam de uma constante avaliação e reflexão. Este artigo me parece um reflexo do mundo da atualidade, pois estamos sem respostas para vários fenômenos que estão ocorrendo tanto no mundo quando nas atitudes dos seres humanos.
Palavras-chave: | comprometimento | relacionamento |
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