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26/05/2009
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Comportamento Ético x Atuação Profissional

Por Marcelo Ribeiro Rocha para o RH.com.br

É fato que, nós, seres humanos, quando queremos que as coisas funcionem em nossas vidas de acordo com a nossa vontade, não imaginamos que tais acontecimentos possam estar aos olhos dos outros, funcionando de certa forma de maneira errada. Ou seja, que elas atentam contra a moral e os bons costumes da sociedade dentro da qual estamos inseridos.

Simplesmente passamos firmemente a creditar que nosso maior desejo é que tudo ao nosso redor que de alguma forma nos favoreça, esteja acontecendo dentro das normas e leis estabelecidas e que todos estejam agindo de maneira justa e sincera em suas decisões. Resumidamente, se tais condições estiverem existindo, estaremos, então, vivendo no melhor dos mundos.

Avaliemos, dessa forma, dentro desta análise a seguinte situação: temos a necessidade urgente de um documento e estamos diante de um atendente trabalhando em um balcão de algum órgão público. Esta pessoa, então, lhe informa que tal documento só estará disponível dentro de um prazo mínimo de uma semana. Ou seja, prazo considerado normal dentro dos trâmites legais deste órgão. É claro que, devido à nossa urgência para nos apoderarmos deste documento, não poderemos esperar o decorrer de tal prazo.

Este período de espera chega a ser angustiante e, na sua mente, você declara para si próprio que a emissão deste documento parece ser uma rotina tão simples que é inadmissível que ele só possa ser entregue dentro desse absurdo prazo de sete dias (o que em sua opinião, é considerado uma eternidade). Você chega até mesmo a argumentar com o atendente frases do tipo: “Poderia colocar uma observação de urgência nesse pedido?”, “Não seria possível antecipar a entrega?”. Todavia, seria inútil esse tipo de negociação. Instantaneamente o que vem à nossa cabeça? Como se automaticamente a resposta surgisse, concluímos: preciso conhecer alguém “infiltrado” no sistema para agilizar este processo, pois a minha urgência supera as barreiras da ordem e da moral sob a ótica destes aspectos.

Esse é apenas um exemplo de uma das cenas do nosso cotidiano que frequentemente acontece em nossas vidas, seja com um conhecido, um amigo ou até mesmo comigo ou com você, pois somos seres humanos dotados de fraquezas e desejos. É a partir deste ponto que quero tocar neste assunto em questão. Até onde vão os nossos princípios, nossa ética e até que ponto o ambiente no qual estamos inseridos interfere em nossas vidas e na vida dos outros?

No ambiente empresarial este cenário, na maioria das vezes, não é diferente. Tente avaliar em quantos momentos precisamos quebrar certas normas e regras das empresas e até mesmo pessoais para preservar nossos postos de trabalho, para mostrarmos nossas competências na solução dos problemas considerados morosos e sem solução. Enfim, mostrar um alto grau de comprometimento com a organização para a qual trabalhamos. Até onde o profissional pode se manter íntegro para atingir suas metas mesmo estando ele agindo sob pressão? Qual o limite do ser humano para suportar a carga de responsabilidade dentro da organização e até que ponto estamos dispostos a testá-lo?

Definitivamente tais questões podem parecer corriqueiras e talvez não mereçam o crédito que estou dando principalmente neste contexto, mas apenas por suposição vamos imaginar que estas atitudes tornem-se um hábito e comecem a fazer parte da vida profissional do indivíduo. Como uma parasita, corroendo as entranhas do ser humano, sob o aspecto moral, tais atitudes passam a ser quase que obrigatórias na vida deste indivíduo que possui fraquezas e desejos, além do fato de que o tal “jeitinho brasileiro” irá superar a sua própria competência, o seu medo de falhar e não ser reconhecido.

A consequência disto? As empresas estarão fadadas a perder o bom profissional, o colaborador que é justo, honesto e confiável. Se por um lado ele é capaz de transpor barreiras para alcançar o seu objetivo e as metas da empresa, por outro, ele se corrompe, torna-se um manipulador de pessoas, trai a sua própria confiança de dos demais ao seu redor.

A solução seria então demiti-los? Tomar esta atitude como se estivéssemos cortando o mal pela raiz? Acredito sinceramente que não seria uma solução viável até mesmo sob o ponto de vista financeiro. O que sugiro é que a organização cuide destes profissionais com um olhar mais atento e crítico, com o apoio contínuo durante a realização das suas atividades, do acompanhamento das metas e tomada de decisões. Não devemos deixar que atuais e futuros talentos dentro da empresa venham a se tornar uma espécie de vírus, contaminando negativamente a organização, espalhando, por assim agirem, o anticlima e a desconfiança de todos aqueles que o cercam, sejam eles os seus pares, suas equipes, seus clientes, parceiros e acionistas. Afinal, devemos ter sempre em mente a seguinte premissa: os clientes sempre enxergam a empresa por trás dos colaboradores que os atendem.

Palavras-chave: | ética | Gestão do Comportamento |

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COMENTÁRIOS (3)
Leandro Luciano em 26/07/2009:
Boa matéria! Meu nome é Leandro Luciano. Sou estudante de Recursos Humanos. E ao falarmos de ética dentro das organizações e do comportamento de seus colaboradores é indispensável a análise das atitudes desse colaborador. Perceber até que ponto ele está disposto a abrir mão de seus principios morais, para conseguir, por exemplo, atingir sua meta. Tendo em vista a pressão em que lhe é submetido, a instabilidade do mundo moderno e o grande fluxo de entrada e saída de funcionários cada vez mais frequentes, por exemplo, pode dilacerar qualquer principio moralmente aceitável! É quase que lógico, a tendência de entrarmos em um período constituídos de profissionais de comportamentos imorais, por uma questão de sobrevivência nesse mercado de trabalho selvagem... Como atuar nesse meio de contradições: Uma atitude ética Vs Me manter no emprego. Qual seria a minha escolha em qualquer ambiente em que esteja inserido? Também, concordo que temos que agir sempre dentro de nossos principios morais. Embora seja fato, o mundo não foi feito para os fracos e até que ponto uma atitude ética nos fará fortes? O assunto é muito mais complexo do que imaginamos. É muito bom poder falar de ÉTICA, o que falta é acharmos melhor ainda viver a ÉTICA custe o que custar!

Aurea Maria em 27/05/2009:
Parabéns pela matéria! Muito boa. Sou estudante de psicologia e atuo em RH, posso dizer com franqueza que esse é um mal que contamina a todos em alguma circunstância da vida. Esse tirar proveito de alguma forma, 'Jeitinho Brasileiro", por menor que pareça ser naquele momento, ou, você não consiga enxergar diante emergência da situação, é um comportamento que se repetida vezes ganha força e torna-se realmente parte do caráter. E piora ainda, quando esse comportamento interfere na vida de outros que acabam sendo prejudicados. Sem dúvida precisamos rever nossos conceitos e ajustar algumas coisas, afinal, ninguém quer passar aos outros um esteriótipo de pessoa com caráter distorcido.

Hélida Lemos em 27/05/2009:
O caráter, a moral do ser humano é algo de DNA, infelizmente quanto mais distante de Deus o homem fica, mais propenso ao erro estará. Temos tbém o triste exemplo de nossos governantes, onde, ao agirem de forma amoral e sem nenhum tipo de penalidade, apóia a que outros o façam tbém. Mas nenhuma atitude negativa deve ser motivo para que venhamos a agir de tal forma. Devemos sempre manter nosso caráter, moral e honestidade ilibados, independente de qualquer tipo de pressão.

 
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