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25/01/2011
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Monitoramento da internet no trabalho: arma para empregadores, ameaça para empregados

Por Maria Bernadete Pupo para o RH.com.br

Por menor que seja a empresa, sempre haverá um ou mais funcionários exercendo sua atividade com o auxílio de um computador conectado à internet. O problema é que a "E-volução" tecnológica, especialmente no ambiente de trabalho está tão presente na vida das pessoas que se não for bem utilizada pode tornar-se uma arma tanto para as organizações como para os empregados.

Muitos empregadores estão utilizando programas que permitem monitorar o uso de todas as mensagens trocadas pelo empregado, rastreando todos os sites e tudo o que este faz durante sua jornada de trabalho. Tudo isso porque num mercado cada vez mais competitivo, o vazamento de informações confidenciais também se tornou grave problema para os empregadores. Além disso, a competitividade exige que os profissionais estejam focados em suas tarefas, mas infelizmente eles acabam perdendo-se em seus afazeres diários, não sabendo separar o lado profissional do pessoal; fazem mau uso das ferramentas que a empresa coloca a disposição para seu trabalho.

Com isso, fazem uso indevido das conexões atrevidas na internet e até de informações obtidas. Isso está acontecendo porque as organizações, de modo geral, preocupam-se muito com a tecnologia e pouco com as pessoas, e, claro, não adianta ocupar-se somente com as máquinas e não orientar os funcionários.

Os gestores, ao invés de monitorar as máquinas para posteriormente punir os empregados, deveriam, por exemplo, refletir em como tirar proveito das redes sociais e ensinar os colaboradores a se comportar nelas, e não simplesmente bloquear seu acesso. A empresa acaba adquirindo imagem antipática e centralizadora para os colaboradores.

O monitoramento é necessário, pois garante a segurança de uma série de informações, porém as pessoas precisam ser orientadas de como devem agir no ambiente virtual novo, que exige extrema profissionalização. O empregado deve dedicar-se, durante sua jornada, exclusivamente a seu trabalho e entender que o e-mail corporativo é para ser utilizado com fins profissionais; que as planilhas que ele desenvolve na empresa não são deles; que a comunicação e o acesso às redes sociais, não devem ocorrer durante o trabalho, pois tais interrupções podem causar prejuízos a ele, e como consequência, ao empregador.

Que o telefone, a máquina de xerox devem ser utilizadas única e exclusivamente para o trabalho. Como isso, geralmente não acontece, os empregadores estão investindo pesadamente em programas "dedo-duro", os quais monitoram todos os passos do empregado durante o expediente de trabalho, preferindo então agir pela punição e não pela orientação.

Não obstante, os empregados, talvez por desconhecimento, usam e abusam das ferramentas de trabalho, e esse abuso tem causado um número cada vez maior de demissão por justa causa, ora porque violam as regras da empresa, acessando sites impróprios, ora porque utilizam o e-mail corporativo para assuntos particulares, ora porque o tráfego indevido de informações, assim como a quebra de sigilo traz prejuízos à organização.

A verdade é que estamos vivendo um novo modelo nas relações de trabalho cuja competitividade exige a prática da profissionalização, tanto dos empregadores como dos empregados e aí cada um tem que cumprir seu papel da melhor da maneira possível. As grandes e médias empresas utilizam prática da governança corporativa, profissionalizando processos, normas, regras e políticas, por isso os profissionais devem prezar pela prática da gestão de si próprios, preocupando-se com o desenvolvimento de suas competências técnicas e comportamentais.

Quando tudo isso não acontece, o profissional invariavelmente tem vida curta nas organizações.

Para que as organizações tornem as relações de trabalho profissionalizadas e mais amenas, o meio termo ainda é a solução mais adequada. Isso pode acontecer através da definição de regras que permitem ao colaborador acessar em horários pré-determinados, portais de notícias para se manterem atualizados além da liberação nesse mesmo espaço de tempo do uso consciente do webmail.

Para os colaboradores, a sugestão é de que cuidem de sua imagem, pois a tecnologia permite descobrir quem fez, o que fez e quando fez. Devem também de imediato conhecer as práticas de monitoramento da empresa onde atua, para não perder seu espaço, nem ser punido por mau comportamento.

 

Palavras-chave: | tecnologia | justiça |

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COMENTÁRIOS (6)
Marcos Antonio em 30/01/2011:
De acordo com o texto realmente o comportamento das organizações vem mudando o cenário de trabalho das pessoas nelas inseridas. Partindo desse contexto, a tecnologia está presente diariamente em nosso cotidiano. Para nós, profissionais, que ocupamos um boa coloação ou amejamos alcançar um boa posição dentro da organização, temos que respeitar a politica em questão que a mesma adotou, porém tudo tem seu momento, para tanto, temos que separar o joio do trigo.

Alexsandro Martins em 30/01/2011:
Como tudo na vida tem seus prós e contras, a web no trabalho não é diferente. Um estudo recente publicado pela Universidade de Melbourne, na Austrália, conclui que os trabalhadores que dedicam um máximo de 20 por cento do horário de trabalho ao uso pessoal da rede são 9% mais produtivos que os que não o fazem. Neste contexto podemos dizer que o que distingue a droga do remédio é justamente a quantidade administrada.

Eleuza em 28/01/2011:
Absurda essa concepção sobre o tempo do trabalho exclusivo. Considerando que vivemos uma realidade social na qual o acesso à informação e aos recursos tecnológicos possibilitam ao trabalhador desenvolver múltiplas tarefas e cuidar de sua vida pessoal simultâneamente, o artigo reforça a ideia de coisificação humana. Paradoxalmente, os avanços tecnológicos, que deveriam possibilitar ao trabalhador aquilo que Domenico De Masi nomeia de "Ócio Criativo", assistimos a arrogância capitalista de aprisionar a força de trabalho nessa tão aclamada dedicação exclusiva ao trabalho!!! Lamentável!!

Rita Gomes em 26/01/2011:
Bernadete, adorei o artigo. Atualmente usamos esse monitoramento na empresa onde atuo. Todos os colaboradores ficam cientes dos procedimentos tomados através da Integração e Manual de Normas e Conduta por eles assinados. Rita Gomes Coordenadora de RH

Almir Miranda em 26/01/2011:
Pois é, na Campus Party pude constatar que as empresas não sabem como usar as redes sociais para os negócios, acham melhor ficar monitorando do que gerando oportunidades, para quem intenção de prejudicar uma empresa, ele fará de qualquer forma, mesmo que seja criado altos níveis de segurança, pois ele tem uma intenção só. Acho que precisamos pensar mais em abrir a cabeça para as boas ações que ficar protegendo o que logo pode ser comum para todos. Hoje muitas empresas compartilham suas estratégias com o mercado até como parte da estratégia, portanto, vejo que quem fica com essa proteção doentia não sabe empreender.

Ana em 26/01/2011:
Concordo com o artigo, pois já fui injustiçada em uma empresa que fiz parte há 1 ano atrás. E acredito que o profissional não se sente "bem" em trabalhar na organização o tempo todo monitorado.

 
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