O site de referência sobre Gestão de Pessoas.
Participe do 8º Congresso de RH pela Internet.
Pesquisar
« Pesquisa Avançada »






08/06/2011
RH » Relações Trabalhistas » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Há tié-sangue na sua empresa?

Por Floriano Serra para o RH.com.br

Há poucos dias, li um artigo que falava de um pássaro chamado "tiê-sangue", (também conhecido como "tiê-fogo" ou "sangue-de-boi") encontrado em áreas desmatadas e restingas, da Paraíba até Santa Catarina, principalmente no litoral. O vermelho-vivo é a cor dominante de sua linda plumagem - daí o nome. Por sua beleza, é muito perseguido pelos criadores. Acontece que, quando em cativeiro, o tié-sangue perde sua beleza, suas cores se desbotam - o vermelho torna-se alaranjado - e é comum que em pouco tempo morra de estresse. Ou seja, ele só brilha se em liberdade.

Numa época em que se fala tanto em "bullying" e "burnout", não resisti à tentação de fazer uma analogia entre as características daquele pássaro e o clima interno de algumas empresas.

Através de e-mails que recebo e de depoimentos que ouço durante minhas palestras, fico sabendo que, a pretexto de manter a disciplina e a autoridade, alguns gestores, com ou sem conhecimento da sua organização, continuam distorcendo o uso do chamado "poder", transformando o local de trabalho em verdadeiros cativeiros emocionais para os funcionários, tirando o brilho deles e, pior, gerando situações de constrangimento e de estresse.

Ter liberdade de expressão, de movimentação e de relacionamento é um direito de qualquer pessoa que viva numa democracia e, no caso das empresas, é um direito de todo profissional, desde que essas manifestações não comprometam seu desempenho.

Conforme reconhecimento do mundo inteiro, o brasileiro é naturalmente alegre, criativo, comunicativo e afetuoso, em qualquer contexto. E é essa energia, essa motivação pela vida, pela expressividade e pelo envolvimento com as pessoas, que o torna tão positivamente diferenciado.

Proibir ao profissional a livre manifestação dessas características equivale a tirar sua liberdade, sua iniciativa e, por fim, seu tônus vital - como ocorre com o tiê-sangue engaiolado. Principalmente se essa proibição vem acompanhada com a ameaça - explícita ou velada - de demissão sumária.

Já foi suficientemente afirmado e comprovado que não é a liberdade de ação e expressão de uma equipe que põem em risco a estabilidade e a eficiência de qualquer liderança. Pelo contrário, não há como obter a lealdade, o entusiasmo, o esforço e o comprometimento dos colaboradores - o que se reflete imediatamente na produtividade e na qualidade dos produtos e serviços - sem que se dê aos mesmos condições dignas e éticas de vida e de trabalho.

O trabalho não precisa ser necessariamente um peso, um sacrifício, ao qual se vai todo dia com medo, tristeza ou raiva. Ele pode ser uma fonte de satisfação e de realização, desde que os profissionais não se sintam em cativeiros simbólicos, sob contínuos constrangimentos, excessiva pressão ou permanente risco de punições.

Se puderem ser livres, ter sua autoestima preservada e se mostrar como de fato são, sem a obrigação de reprimir sua espontaneidade para agradar gestores, eles revelarão toda sua capacidade produtiva e todos os seus talentos - da mesma forma que faz o tiê-sangue quando em liberdade.

 

Palavras-chave: | relacionamento | emoção | equipe | assédio moral |

  • O que você achou? Avalie:
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Enviar Comentar Compartilhar Imprimir
CONTEÚDO RELACIONADO
COMENTÁRIOS (4)
Irineu Coutinho em 06/07/2011:
Tiê-sangue, é ruim ehim? Mas é isso que ocorre mesmo. E quanto mais baixo é a maturidade intelectual e Comportamental tanto do time quanto do liderado, maior é essa síndrome. O pior é que muitos empreendedores não enxergam isso, deixando de ser competitivo no mercado.

Luiz Alberto Torres da Silva em 14/06/2011:
Ótimo. Gostei mesmo do artigo. Realmente a criatividade só vem com liberdade. Isso acontece muito no serviço públio, muitas vezes o chefe é apenas chefe e nunca vai ser líder. E quem paga a conta é a comunidade com um mau serviço. Abraços e parabéns.

Tiana em 11/06/2011:
Muito bom e oportuno o seu artigo. Concordo que é dando "asas" aos nossos colaboradores que os ensinamos a voar junto conosco. É preciso voar para perseguir os sonhos. É preciso sorrir para ter coragem de sonhar e de voar.

rodrigo mineli em 08/06/2011:
Ótima analogia, excelente artigo! Existem muitos "tié-sangue" nas mãos de gestores que por insegurança e até por ignorância deixam os engailados e ofuscados. Será que com a geração Y será diferente? Ou não se trata de geração e sim da condição humana, da luta pela sobrevivência, do intinto?

 
PUBLICIDADE
Produtos RH.com.br

+ lidas
+ comentadas
+ enviadas
+ recentes
Produtos RH.com.br

8º ConviRH

Seminários RH.com.br



RH.com.br no Twitter


PUBLICIDADE
Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Confira o nosso Termo de Responsabilidade.
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida qualquer reprodução.