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22/08/2011
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O que não fazer numa entrevista de desligamento

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Antes de realizar uma contratação, através das entrevistas que são realizadas no recrutamento e na seleção, a empresa busca o profissional que tenha um perfil compatível com as necessidades do cargo e do negócio. Da mesma forma que a chegada de um talento é relevante para a organização, existe outro momento que não pode ser desconsiderado por quem atua em Gestão de Pessoas: o desligamento do colaborador. Isso porque a demissão pode ser resultado não apenas da falha ou da própria iniciativa do profissional, mas sim consequência de alguma prática adotada pela companhia. Vale lembrar que é através da entrevista de desligamento que a área de Recursos Humanos tem a oportunidade de identificar os pontos fortes e os que precisam ser melhorados na organização, bem como saber qual imagem o ex-funcionário levará do seu antigo emprego. Confira abaixo procedimentos que não devem envolver entrevista de desligamento, uma vez que comprometem a credibilidade e o êxito do processo.

1 - O entrevistador - A pessoa que realizará a entrevista de desligamento deve ter uma bagagem de conhecimento e de experiência para conduzir o processo, pois poderá atropelar alguma fase importante e indispensável ao processo.

2 - Objetivos da entrevista - O profissional que conduz o processo deve deixar claro para quem se desliga da empresa as regras da entrevista de desligamento e como os resultados obtidos serão utilizados posteriormente. Isso dará credibilidade à iniciativa.

3 - Parte da cultura organizacional - Quando a entrevista de desligamento é instituída pela empresa, os colaboradores devem ser informados sobre a novidade e a ferramenta, consequentemente, apresentada aos profissionais de todos os níveis hierárquicos. Isso porque esse recurso deve ser visto como um complemento às práticas de Gestão de Pessoas da empresa. A entrevista de desligamento precisa ser incorporada à cultura da empresa, porque quando for necessária a sua utilização o funcionário desligado não se sentirá surpreendido e sofrerá mais um impacto, após ser demitido.

4 - Engavetamento - Como ocorre em qualquer outra ferramenta aplicada na organização, os resultados da entrevista de desligamento não devem ser engavetados, pois podem revelar informações sobre, por exemplo, algum fato que contribua para a insatisfação do público interno.

5 - Não é uma obrigação - Quem conduzirá a entrevista de desligamento deve deixar claro que o ex-funcionário tem a escolha de participar ou não desse processo. Dessa forma, a mesma deve ser feita como um convite e nunca como uma obrigatoriedade.

6 - Laços de amizade - O convívio diário no ambiente de trabalho faz com que naturalmente sejam criados laços de amizade entre as pessoas. É desaconselhável que quem conduza a entrevista de desligamento tenha laços de amizade com o profissional demitido, pois as emoções certamente irão aflorar e quando isso acontece existe uma significativa chance do processo ser "abalado".

7 - Local da entrevista - A saída de um profissional sempre é um momento delicado para quem vai e para os que ficam. Quando o desligado é convidado para essa conversa "final" é fundamental que a mesma ocorra em um local apropriado, onde não exista fluxo de pessoas e tanto o entrevistado quanto o entrevistador tenham privacidade para conversarem assuntos delicados.

8 - Serenidade no processo - Pressões ou insistências do entrevistador em relação ao entrevistado só trarão resistências e tornará esse momento um fato desagradável. É preciso deixar o ex-funcionário tranquilo, para ele se sinta acolhido e se veja colocado "contra a parede". A entrevista de desligamento deve ser vista como um momento de acolhimento, até porque esse mesmo profissional poderá voltar a integrar a equipe e trazer contribuições valiosas para o negócio.

9 - Quando realizar? - A entrevista de desligamento nunca deve ocorrer no dia da demissão, pois a pessoa estará imersa no impacto de se ver fora do mercado de trabalho e sua mente estará "a mil por hora". O ideal é que o processo ocorra dois ou três dias após a demissão, pois esse tempo permitirá que a pessoa respire e consiga administrar melhor suas ideias.

10 - Uma ferramenta estática - Como qualquer outro recurso usado pela companhia, a entrevista de desligamento deve acompanhar as tendências e as inovações que se fazem presentes da empresa. Se, por exemplo, os resultados obtidos ficavam arquivados nos tradicionais fichários, é o momento de migrar essas informações para a informatização. Como tudo na natureza transforma-se, os dirigentes corporativos devem ter em mente de que as inovações fazem que os processos precisem ser revistos, reavaliados em relação à sua aplicabilidade e benefícios que trará à empresa.

 

Palavras-chave: | demissão | entrevista de desligamento |

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COMENTÁRIOS (2)
ENIVALDO SOUZA em 23/11/2011:
Achei o artigo muito interessante e útil. Na empresa em que trabalho, a entrevista é feita no dia do desligamento, o que deixa o funcionário muito constrangido e sem reação, pois é um grande impacto.

Monaliza em 24/08/2011:
Mesmo não existindo essa ferramenta onde eu trabalho, penso que é muito importante. Os gestores cada vez mais precisam ouvir os colaboradores e não é só porque ele foi desligado da empresa que a mesma não irá ouvi-lo e transformar esta entrevista em soluções para a organização.

 
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