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26/06/2012
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Benefícios da entrevista de desligamento

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Não é expressivo o número de empresas que adota a prática da entrevista de desligamento, como sendo uma ferramenta valiosa para a Gestão de Pessoas. Alguns defendem que como aquele profissional não fará mais parte do quadro de funcionários, não tem algo de valor a agregar. Contudo, a realidade mostra o contrário. Quem vai, leva informações relevantes sobre a empresa, pois vivenciou os processos, o clima e é capaz de revelar situações que podem passar despercebidas para quem nunca teve a oportunidade de vivenciar a realidade do setor em que atuou. Confira abaixo alguns benefícios que a entrevista de desligamento oferece à empresa que a inclui entre suas ferramentas de Gestão de Pessoas.

1. A gestão - Identificação de pontos fortes e fracos da gestão da empresa que precisam ser trabalhados, na perspectiva do funcionário. Muitos programas, por exemplo, são implantados e têm seus resultados mensurados através de ferramentas que apontam que esses são eficazes. Mas, conhecer a visão dos profissionais sobre o que a organização adota é, sem dúvida alguma, um diferencial significativo.

2. Lucratividade - Vale registrar que quando se identifica os pontos fortes e os que precisam se melhorados em uma gestão vários benefícios surgem como, por exemplo: melhorai na qualidade dos produtos; excelência no atendimento ao cliente externo; aumento da produtividade; redução do retrabalho, entre outros. Todos esses fatores se traduzem em redução de custos e aumento da rentabilidade. Mais um bom motivo para se aplicar a entrevista de desligamento: possibilidade de aumentar os lucros para a organização.

3. Mudanças - Hoje as palavras mudança e inovação ocupam "espaço nobre" no dicionário organizacional, afinal ninguém mais pode ficar estático se deseja permanecer competitivo. Na entrevista de desligamento, existe espaço para perguntar àquele que deixa de integrar a equipe: "Qual seria a mudança que você faria na organização e qual a razão?". Como ele já não possui mais vínculos, é provável que expresse algo que sempre quis dizer, mas, por um motivo ou por outro, preferiu ficar calado com receio de receber algum tipo de retaliação. Aproveite a oportunidade e deixe que ele se expresse.

4. Líderes - Visão da gestão que as lideranças aplicam junto aos seus liderados. Através da entrevista de desligamento, consegue-se "captar" a essência da relação que o profissional que deixa a empresa mantinha com o gestor, bem como a visão que ele formou da sua liderança.

5. Clima - O clima interno é outro fator que pode ser avaliado durante a realização da entrevista de desligamento. Através da conversa com o ex-funcionário, podem-se pontuar fatores positivos e/ou negativos que envolvem o clima organizacional. Vale lembrar que entrevistador deve ficar atento, pois o talento desligado, talvez expresse sentimentos negativos devido à demissão e isso poderá prejudicar aqueles que ficaram na empresa. Nesse momento, não custa usar o feeling.

6. Feelling - Quando o entrevistador usa o feeling, ele perceberá se o ex-funcionário deixa a empresa com características de quem sentirá saudades, mesmo que ele esteja indo para um novo desafio de carreira. Caso ele demonstre esse sentimento, é sinal de que criou laços, comprometimento com a organização, com os colegas de trabalho. Essa percepção é extremamente relevante para avaliar a Gestão de Pessoas da sua organização.

7. Expectativas - Muitas organizações gastam cifras significativas em programas que objetivam reter seus talentos. Contudo, essas ações parecem que não atingem seu foco e o índice de turnover permanece preocupante, principalmente quando os profissionais em questão assumem cargos estratégicos. Por que isso ocorre? Porque nem sempre a empresa tem o cuidado de saber as reais necessidades dos seus colaboradores. Se antes de implantar um programa de benefícios, por exemplo, a organização tem a preocupação de pesquisar, conversar com os funcionários para de saber quais itens que realmente farão o diferencial e trarão melhorias para suas vidas, o investimento terá sido muito bem aplicado. Caso contrário, corre-se o risco de oferecer "produtos" considerados irrelevantes para determinado público. Na entrevista de desligamento, é perfeitamente possível ficar frente a frente do ex-funcionário e questionar se um dos motivos da sua saída, caso a iniciativa parta dele, esteja relacionada a alguma expectativa frustrada.

8. Ele ficaria? - Algum fator faria esse profissional permanecer na empresa? O que seria, então? Se quem conduz a entrevista de desligamento conseguir essa resposta, talvez possa identificar um fator que contribui para a rotatividade da empresa, mas que está passando despercebido pelos dirigentes.

9. Imagem - Deve-se ter uma constante preocupação com a imagem da organização forma junto ao público interno ao externo. Por isso, quando um funcionário é desligado da empresa é importante saber que imagem ele formou e que levará do tempo que atuou na companhia. Lá "fora" o ex-funcionário será um formador de opinião e certamente repassará aos familiares, aos amigos e aos profissionais da área a opinião do seu último emprego.

10. E o RH? - Talvez muitos profissionais de Recursos Humanos não queiram pontuar essa questão na entrevista de desligamento, mas qual a opinião que o ex-colaborador possui da área? Será que sua atuação é apenas burocrática ou já existe uma atuação de parceria estratégica do negócio? Avaliar todos os demais setores da empresa, as lideranças e perder a oportunidade de ter um feedback sobre o trabalho que desenvolve é demonstrar sinal de maturidade profissional e, acima de tudo, de coragem e de dignidade.

 

Palavras-chave: | entrevista de desligamento | demissão |

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COMENTÁRIOS (2)
Antonio Barros em 01/07/2012:
Quero parabenizar o autor deste artigo, o qual tenta alertar os administradores para que utilize esta excelente ferramenta da entrevista de desligamento, aceitando as informações apresentadas para a melhoria e ajustes das práticas corporativas utilizadas.

Adriana em 28/06/2012:
Bom dia! Gosto muito das suas matérias. As acompanho e são importantes para o meu dia a dia profissional. Com relação a esta matéria, em específico, tenho algumas considerações. Sou contra a ferramenta citada, quando o empregado se porta como eu. Não tenho medo de retaliações e sempre sinalizo o que está, no meu ponto de vista, em "desacordo". Quando não há nenhuma ação da empresa para otimizar os processos sinalizados, acredito que não será a entrevista de desligamento que será utilizada. Se quando eu era empregada, não fui ouvida, como serão relevantes meus pontos de vista, quando sair da empresa? Discordo neste sentido... Infelizmente já vivienciei mais de uma vez, esta realidade.

 
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