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03/09/2001
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Responsabilidade Social, Cidadania Empresarial e Terceiro Setor

Por Roberto Galassi Amaral para o RH.com.br

Vivemos claramente num ambiente de negócios de forte busca por novos padrões de desempenho e, diante do esforço, por vezes benéfico, as diferentes mídias procuram difundir as novas práticas empresariais no campo de sua interação mais próxima com a sociedade. É provável que já estejamos constantemente sendo chamados a responder com ações imediatas, em uma área rica em valores e oportunidades, no entanto absolutamente nova para muitos e ainda pouco conhecida.

De maneira legitima, as organizações buscam superar seus desafios posicionando e reposicionando sua forma de fazer as coisas, agregando valor ao seu papel na sociedade. Resignificando-o, a organização atualiza-se, moderniza suas praticas, interfere positivamente em seus critérios e políticas, aprimorando seu modelo de gestão. É sempre resultado de um processo de mudança que impacta as pessoas e que, por fim, muda o patamar de resultados desta organização.

A contaminação das empresas e pessoas com uma nova forma de construção da sociedade, deve ser obrigatoriamente entendida como um processo de mudança, podendo ser planejado, monitorado e otimizado. É, portanto, fundamental, perceber-se como participante na construção deste novo paradigma e obter a leitura mais correta possível sobre as diferentes ações preconizadas pelos meios de comunicação.

Cabe, então, explicitar como vemos alguns processos em curso no ambiente empresarial.

Responsabilidade Social Empresarial

Difundido pelo Instituto Ethos, filiado ao BSR – Business for Social Responsability, a Responsabilidade Social Empresarial, preconiza um novo modelo de gestão e visa a Excelência e Sustentabilidade nos Negócios.

Este novo modelo, vai além da simples relação mais positiva com a comunidade com a qual a organização interage e passa por um reexame das práticas empresariais, criando um novo critério de gestão que, baseado na Ética, permeia toda a estrutura.

Trata-se, portanto, de uma ação abrangente localizada no campo do Desenvolvimento Organizacional e Humano, manifestada num processo de Mudança Organizacional e que impacta, fundamentalmente, a Cultura e Clima Organizacional, o Modelo Gerencial e os processos de gestão, o desenvolvimento Humano e o conjunto de crenças e valores, entre outros.

Cidadania Empresarial

Inspirado no modelo norte americano da chamada “Filantropia Empresarial” e preconizado pelo GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, este conceito tem levado as empresas a profissionalizar sua atuação passando de um estágio de ações inestruturadas e assistemáticas para um modelo estruturado e sistemático, associando visão e gerenciamento estratégico, monitoramento, avaliação e otimização de recursos, em sua interação com a comunidade.

Neste escopo a ação deixa de ser o da simples doação de recurso financeiro, feito de forma não vinculada à solução de problemas que passa a ser de Investimento Social de Origem Privada e, portanto, focada na resolução de problemas da sociedade.

Estamos falando, portanto, exclusivamente da interação da empresa com sua comunidade, numa clara atitude cidadã com seu entorno. Cabe ressaltar que este compromisso, manifestado através de um programa de atuação comunitária é parte integrante, porém não única, de um modelo de Responsabilidade Social Empresarial.

Há várias pesquisas mostrando a participação da iniciativa privada em ações no campo. Organizações como IPEA, GIFE, SENAC, CIEE, USP, FIEMG estão procurando identificar o perfil destas ações visando difundir esta prática pelo meio empresarial.

Tais pesquisas mostram, entre outras, que a maioria dos programas executados beneficiam notadamente a criança e o adolescente, assumindo um rol importante na área da educação, notadamente no ensino semi-profissionalizante.

Terceiro Setor

Não se trata de uma classificação jurídica, mas sim de uma espaço de atuação de organizações sem fins lucrativos, de diferentes origens e objetivos, e que utilizam recursos privados e públicos para finalidades públicas ou coletivas. É formado basicamente por Organizações Não Governamentais ou Sem Fim Lucrativo. Exemplos: associações de bairro, partidos políticos, agremiações de futebol, igrejas, fundações, institutos, movimentos em geral, universidades, entre outras.

O termo vem também da experiência norte americana e que, segundo Rubens Cézar Fernandes, pesquisador do ISER (Instituto de Estudos Sócio Econômicos e da Religião), classifica as organizações e o seu setor de acordo com a origem dos recursos que utiliza e a finalidade de sua constituição. Sendo assim temos:
* Um setor que utiliza recurso publico para finalidade pública que é caracterizado como o Setor Público;
* Um segundo setor que utiliza recurso privado para finalidade privada que é caracterizado como Setor Privado e* Um terceiro setor que utiliza recursos privados e públicos para finalidades publicas que é chamado de Terceiro Setor.

Não estamos falando, portanto, de uma hierarquia existente entre os três setores, mas da existência de um terceiro setor que tem importância econômica, inclusive. Interação com a função de Recursos Humanos. Sendo a função, tradicionalmente conhecida como Recursos Humanos, mas recentemente melhor posicionada como Gestora do Fator Humano, é natural que conceitos como estes que vimos acabem recaindo, em grande parte, nesta área.

Adicionalmente, nosso olhar critico sobre a história desta função nos permite considerar que estes movimentos acabam por provocar uma releitura da própria função e, em sua grande maioria, uma renovação das motivações das lideranças e profissionais que atuam na área. É absolutamente legitimo que, a partir da demanda requerida, seja de que nível organizacional for, aproveitemos a emergência destes temas para obter a tão chamada adesão dos níveis superiores aos processos, cuja a prioridade é o ser humano.

Tenho certeza de que todos nós, profissionais vocacionados para esta área, éticos e convictos de que o fator humano é o diferencial de qualquer organização, desejamos que atividades humanizadoras contaminem a todos dentro da empresa. Entretanto, e aqui cabe um olhar mais crítico, não poderemos perder a chance de levar a organização para um outro patamar de qualidade, não apenas sendo profissional e criteriosa em suas ações junto a comunidade, mas sim, efetivamente, alterando o padrão ético das relações, dos critérios e dos processos decisórios no ambiente organizacional.

Neste sentido, exorto os profissionais das empresas, identificados com o fator humano e convictos de que há muito o que melhorar no cotidiano dos negócios, para que lutem pela coerência destas ações, mostrando aos dirigentes que a resposta a este novo cenário de voluntariado e de cidadania empresarial, necessita de um olhar privilegiado também, e talvez prioritariamente, para o ambiente interno.

Não há espaço para um novo modismo, para uma nova forma de buscar benefícios para interesses individuais ou exclusivamente para a valorização da imagem institucional. Cabe, portanto, enquanto cidadãos e comprometidos com a ética nos negócios, trabalhar para estabelecer, em primeiro lugar, este modelo de gestão chamado Responsabilidade Social Empresarial, a partir do qual se possa cumprir um papel importante na revitalização dos negócios e também, numa atitude cidadã, possa participar coerentemente da sociedade, através de um programa profissional de Investimento Social Privado.

Busquemos, portanto, compreender estes limites e apropriemos nossos processos com uma destas ferramentas disponíveis, mas acima de tudo com nosso desejo de resignificar o papel das organizações na sociedade.

Palavras-chave: | Terceiro Setor | Cidadania Empresarial |

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