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23/06/2003
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Recursos Humanos e voluntariado

Por Tanya Linda Rothgiesser para o RH.com.br

Definida a Ética da Solidariedade como o quadro balizador da ação social no terceiro milênio, como se posiciona o profissional do Terceiro Setor em sua inserção enquanto agente mobilizador, através de seus projetos, programas e atividades, junto à clientela em convergência com a Sociedade Civil, o Estado e o Mercado?

Sendo um representante de instituição pública ou privada com objetivos de ordem social, qual deverá ser sua postura profissional, lidando com elementos duais, aparentemente pouco conciliáveis, como os de sensibilidade às questões sociais e aqueles de ordem técnica referentes aos interesses institucionais qual seja, o manejo gerencial adequado no âmbito do controle, supervisão e administração de recursos financeiros, materiais e humanos - como os do trabalho voluntário, por exemplo?

A essas questões eu contraponho à figura mítica do deus romano Janus, com sua cabeça de duas faces posicionadas em sentidos opostos: uma face olha para um lado e a outra face para o outro lado, de forma aparentemente dual e conflitante. E a sobreponho à face do gestor de projetos sociais: Sua face sujeito masculino atuando com a razão objetiva, através da pesquisa, da reflexão, da organização de dados e informações, viabilizando condições operacionais para a realização dos seus projetos (planejamento estratégico, captação e administração de recursos, negociação, controle, supervisão etc.), cobrando e avaliando resultados. E buscando novas parcerias...

A face oposta, sujeito feminino por excelência - referência fundamental ao sujeito masculino, simultaneamente também por ele respaldada - permite abrir seu coração e indignar-se às injustiças e desigualdades sociais, se permite delirar em projetos visionários (embriões de futuras realizações) e também se emocionar com o retorno dos índices junto à comunidade beneficiada e com o trabalho anônimo, silencioso e desinteressado dos voluntários de sua equipe.

É assim o profissional do Terceiro Setor: convergindo harmonicamente suas duas faces de Janus - o comprometimento profissional com a instituição a que serve e a paixão à causa social - para o alcance de um objetivo comum: a consecução do projeto social.

E o voluntário... Em que bases conceituais ou técnicas podemos chamá-lo à prática profissional? O conceito do "ser" ou "estar" voluntário poderá, sem dúvida, nos ajudar a visualizar as diferenças.

Diferenças entre duas dimensões de comprometimento institucional.
E de consciência de cidadania.

O cidadão-voluntário em um estágio de "estar" voluntário, elege como causa primeira e única o servir à causa social que deseja abraçar. Impulsiona-o elementos que dizem respeito a aspectos subjetivos, os quais reconhece através de fatos concretos. Fatos ligados à sua história de vida mais recente ou acontecimentos nacionais que o sensibilizam e o impulsionam à ação. Para a prática dessa ação pontual, ainda muito pouco articulada, escolhe uma organização de reconhecimento nacional ou busca identificá-la junto "àquele amigo", discretamente... para que não haja possibilidades de constrangimentos, para que não tenha que explicar o porque de "querer trabalhar de graça".

Campanhas, quando bem coordenadas, costumam ser uma ótima primeira experiência de "estar voluntário". O sentimento da prática da cidadania e o compartilhá-lo com pessoas de uma mesma sensibilidade social, provocam rápida identificação e vínculos. O resultado das campanhas, em geral, de retorno mais visível, quase imediato, também contribui para que essa atividade voluntária se faça singular, frente a quaisquer outras intervenções particulares, em geral sofridas ou mal sucedidas.

Se da marca bem-sucedida de "estar" voluntário resultarem novos desejos com novas experiências de trabalho voluntário... está aberto o caminho. Mas pode não ser ainda suficiente para o "ser" voluntário.

A passagem do "estar" para o "ser" voluntário pode ser longa ou nunca ocorrer, mas torna-se marcante por uma alteração radical de consciência em relação aos valores espirituais da humanidade, à vivência incondicional da solidariedade, a um profundo desejo de mudança e da percepção da própria capacidade de intervenção nessa realidade. Quando se verifica, coexiste todo um entorno de força e energia estruturados através de ações e resultados, construídos e compartilhados, no dia-a-dia.

Institucionalmente, há todo um processo que se propõe de apoio à construção deste percurso tão subjetivo e profundamente pessoal. Inicia-se já no primeiro contato, visando esclarecer ao voluntário-candidato os objetivos de alcance social daquela organização, de auxiliá-lo em suas possibilidades de escolha consciente da atividade voluntária mais adequada, de integrá-lo social e tecnicamente ao seu grupo de trabalho e aos profissionais da organização. Enfim, garantir-lhe condições iniciais de adaptação à nova função voluntária.

Posteriormente, políticas de treinamento e capacitação em novas habilidades, momentos de confraternização e reconhecimento profissional, e ainda atitudes sempre presentes de estímulo e apoio frente às inevitáveis dificuldades, inerentes ao trabalho social, marcarão o percurso do voluntário, estimulando-o ao comprometimento institucional. De outra forma, a gestão "voluntarista e voluntariosa" e o olhar, a atitude, a palavra gerencial inadequados à sensibilidade social, poderão desestimular e desagregar seus esforços voluntários.

Entretanto, mesmo o aparato institucional e a adequabilidade das ferramentas e habilidades gerenciais no trato qualitativo de cada elemento agregado ao trabalho voluntário não garantem, cartesianamente, a eficácia do todo. Conhecemos o contorno, mas continua sendo um mistério o momento da formação da consciência de cidadania e, conseqüentemente, do comprometimento de valorosos voluntários-profissionais às causas institucionais. Por isso, o chamado "Capital Social" de uma organização é algo de incomensurável valor. Os elos de solidariedade que permeiam e vinculam relações e compromissos de cidadãos (profissionais-voluntários e voluntários-profissionais) de forma espontânea, institucionalmente, a uma causa social é de uma força de transformação, interna e externa, vital.

Profissionais-Voluntários e Voluntários-Profissionais

Cidadãos conscientes de sua responsabilidade e força de transformação social preparando-se, profissionalmente, para dar conta - em um mais além de sua formação acadêmica, dos recursos institucionais disponíveis para o seu projeto, da crua realidade social que irá enfrentar - de uma proposta especialmente privilegiada na esfera do Terceiro Setor: a construção de uma Rede Global, baseada na Ética da Solidariedade, voltada à Paz Social.

Palavras-chave: | voluntariado |

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