Por Lucia Mendana para o RH.com.br 
A verdade é que precisamos impedir que a degradação do planeta continue. Isso quer dizer que milhões de animais, plantas e microorganismos - o nosso destino, enfim - dependem das decisões corretas que usarmos agora. Sem mais perda de tempo.
Tudo isso pode até soar desconfortável ou negativo, mas, como seres racionais, seria primário e ilógico fecharmos os olhos ao que está acontecendo. Os próprios índios da Aldeia Kuikuro, no Parque do Xingu – uma área de 2,8 milhões de hectares – já deram o alerta de que o Estado de Mato Grosso enfrenta o que é conhecido como o abraço da morte, devido à atuação das madeireiras, ao desmatamento e à poluição das nascentes dos afluentes do Rio Xingu.
A ironia, no caso, é evidente: os indígenas - vistos como ‘primitivos’ - se mostram mais preocupados com o meio ambiente do que nós, os ‘civilizados’. Até porque, o que temos feito, efetivamente, como cidadãos e profissionais, para chegar a uma relação ideal com os fatores ambientais?
O Ministério do Meio Ambiente vem usando o seu poder para reduzir, ainda mais, a taxa de desmatamento em regiões como a Amazônia e Mata Atlântica, aplicando medidas repressivas, como multas, e criando novas unidades de proteção? Os profissionais da Funai vêm adotando fiscalização mais rígida, para garantir a proteção ambiental em todo o país? As empresas vêm adotando posicionamento mais ostensivo frente à preservação do meio ambiente? Os veículos de comunicação vêm abordando a gravidade da situação como deveriam? Ou será que esse tema se tornou banal, a ponto de ser negligenciado, ainda que a recuperação das nossas criações naturais esteja ligada – veja bem – à nossa sobrevivência?
QUAL DEVE SER O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES? Fala-se muito em direitos humanos, mas e quanto aos deveres, inclusive o de cada profissional – de cada empresa feita por gente – atuar em sintonia – ou em acordo – com a Natureza? Como buscar a excelência, sem usar ações individuais e coletivas – adequadas e urgentes – para recuperação das criações naturais, das quais dependem as nossas vidas? Não faz sentido, portanto, que as empresas apostem em políticas de qualidade, para aumentar a produtividade e a lucratividade, sem investirem, de forma mais expressiva, no aumento da qualidade do sistema natural de vida, do qual dependemos.
É tempo, isto sim, de combater falhas humanas que agridem o meio ambiente, preparando um futuro bem melhor, e cada empresa tem papel fundamental nesse processo de mudanças. Eis porque o sistema organizacional – incluindo o industrial e o segmento petrolífero precisa e deve se empenhar bem mais na tarefa de dar fim ao desequilíbrio ecológico.
As indústrias extrativas, por exemplo, devem respeitar os limites impostos em benefício das novas áreas de proteção de 8,477 milhões de hectares, como as criadas entre 2003 e 2005. Já as empresas bem sucedidas e influentes – incluindo as indústrias de automóveis – poderiam adotar iniciativas essenciais, como tecnologias que resultassem na diminuição significativa do alto índice de gases poluentes na atmosfera. Poderiam até patrocinar empreendimentos de organizações sérias, como os corredores florestais, a restauração de matas ao longo dos rios, e até mesmo a criação de reservas particulares. Desse modo, estaríamos melhorando as condições de vida necessárias à manutenção das espécies e à conservação das águas.
E QUANTO AOS LÍDERES? É impraticável desenvolver o potencial dos funcionários, sem tornar cada um consciente do potencial da natureza, que, há séculos, vem provendo o nosso sustento e até a nossa saúde. Por isso, o líder, exigido pelo momento, deve – em treinamentos específicos e periódicos, ou mesmo em simpósios entre equipes – fazer uso de conteúdo e abordagem de comunicação, que elevem o nível de consciência dos profissionais, quanto à questão ambiental. A idéia seria sair da teoria para preservar ou defender esse bem comum na prática.
As empresas estariam, então, mobilizadas em promover ou apoiar a recuperação ambiental, e, em paralelo, as questões que envolvem segurança e saúde. Isso, além de trazer retorno em imagem, aumentaria a qualidade de vida individual, organizacional e da sociedade como um todo.
RECORRA AO SEU POTENCIAL E FAÇA A SUA PARTE. O exemplo não vem apenas de cima – dos órgãos que detêm o poder – mas, sim, de todas as direções. De cada pessoa ou profissional. Afinal, somos todos responsáveis.
Você mesmo pode e deve ampliar as capacidades de pensar, sentir, falar e agir – que formam o processo de comunicação individual – para conscientizar pessoas e colegas de equipe – combatendo a poluição em ruas, estradas e rios, e, inclusive, na sua empresa, evitando o desperdício de água e energia; e, até mesmo, denunciando irregularidades. Em resumo: ou tomamos logo a decisão de reverter o que está aí, ou vamos acabar pagando por omissão irreparável.
Palavras-chave: | Meio Ambiente | natureza | preservação |
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