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25/01/2011
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Desenvolvimento sustentável

Por Júlio César Vasconcelos para o RH.com.br

Há algum tempo tive a oportunidade de tomar conhecimento da Missão de uma grande multinacional brasileira, estampada de maneira brilhante em seu site na internet: "Transformar recursos minerais em riqueza e desenvolvimento sustentável". Belíssimo! Parabéns aos responsáveis! Mas, surgiram-me, então, algumas perguntas que não quiseram se calar: Afinal, o que significa desenvolvimento sustentável? Será que esta Missão está realmente, de maneira concreta sendo colocada em prática? Será que este conceito está realmente internalizado por esta e outras empresas que o estampam em letras garrafais em outdoors nas avenidas e nos portões das fábricas? Vale a pena refletir um pouco sobre o assunto para o estabelecimento de uma visão crítica bem embasada.

Em primeiro lugar, precisamos entender o conceito de "stakeholders", visto que este está diretamente relacionado ao conceito de sustentabilidade. Stakeholders são todos os públicos que se relacionam com uma empresa, ou seja, acionistas, empregados, clientes, fornecedores, órgãos públicos, parceiros, comunidade, igrejas, entidades de classe, ONGs etc. Empresas que realmente investem em desenvolvimento sustentável são fortemente preocupadas com o impacto que geram sobre estes atores nas regiões onde estão localizadas e tomam ações efetivas para eliminar ou amenizar estes impactos.

Em segundo lugar, é necessário resgatar outro conceito denominado Triple Botton Line, lançado pelo consultor britânico John Elkington em 1998, fundador da conceituadíssima ONG Sustainability. O Triple Botton Line está embasado na tese de que qualquer organização que persiga o desenvolvimento sustentável tem que se pautar em três pilares fundamentais: o econômico, o social e o ambiental, formando assim uma espécie de tripé da sustentabilidade. A inexistência de qualquer um destes pilares radicalmente incorporado na filosofia da organização, a desclassifica como uma empresa que pratica a sustentabilidade.

Para entender melhor este conceito, reflitamos sobre os seus três pilares. Comecemos pela questão econômica. Contrariamente ao que muitos pensam, o objetivo principal de uma empresa, na sua essência, não é gerar lucros para os seus proprietários, por mais que insistam os administradores financeiros, mas sim contribuir para o bem-estar social dos seus stakeholders, no meio onde está localizada. Gerar lucro, embora estritamente necessário para a sobrevivência de qualquer empresa, não é e não pode ser seu objetivo principal.

Vejamos como isto deve funcionar na prática. Uma instituição de ensino, por exemplo. Sua missão não pode ser simplesmente gerar retorno financeiro para seus proprietários e sim contribuir sistematicamente para o desenvolvimento cultural da sociedade. Certamente, com esta missão, o lucro automaticamente surgirá como resultado. Instituições de ensino que trabalham com salas superlotadas, com uma péssima infraestrutura e sem a mínima preocupação com a qualidade do ensino ofertado, certamente não podem ser consideradas sustentáveis. E olhem que tenho visto muitas por aí, com belíssimas missões estampadas...

Na mesma linha, a missão de uma empresa de mineração ou indústria, qualquer que seja, tem que estar relacionada à melhoria da qualidade de vida da sociedade, evidentemente sem excluir com isto a necessidade de sua lucratividade. Empresas que colocam seus empregados convivendo com péssimas condições de trabalho, baixos salários, sonegam, poluem e degradam o meio ambiente, com certeza não podem ser chamadas de sustentáveis. E olhem que, infelizmente, tenho também visto muitas por aí subindo no pódio e se proclamando como sustentáveis...

Na verdade, os três pilares do Triple Botton Line têm que caminhar juntos. Por mais que queiram provar em contrário os ecologistas e os humanitários extremados, foco somente nos aspectos ambientais e sociais, sem o foco nos aspectos econômicos, é sinal de falência, desemprego, desastre social na prática. Por sua vez, foco somente nos aspectos econômicos e ambientais, sem foco nos aspectos sociais, é sinal de miséria, impacto negativo nos resultados. Finalmente, foco somente nos aspectos econômicos e nos sociais, sem preocupações ambientais, é sinal de catástrofe, autodestruição de maneira gradativa e irretornável.

Trabalhar com o foco nos aspectos econômicos, sociais e ambientais não é só uma questão de legislação, mas de crenças e valores internalizados, de consciência da importância destes fatores para a própria sobrevivência e da humanidade. A mídia nos trás informações várias comprovando de maneira concreta este enunciado. Recentemente, a British Petroleum viu suas ações despencarem violentamente na Bolsa de Valores após a catástrofe ambiental no Golfo do México e está correndo o risco de ser fechada. A Mina de Ouro San Esteban no Chile, que teve seus mineiros soterrados por questões de falta de segurança e péssimas condições de trabalho, corre o mesmo risco e está sendo publicamente execrada. A Usina Ajkai Timfoldgyar, da empresa MAL Rt., na Hungria, após o estouro de uma barragem de lama tóxica está com seus dias contados...

Uma verdade inconveniente está no ar!... Esperemos que a conciência, a sabedoria e a lucidez alcancem os píncaros do poder e possamos em breve mudar essa nossa dura realidade.

 

Palavras-chave: | sustentabilidade | cidadania |

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COMENTÁRIOS (2)
barros em 01/02/2011:
Muito oportuna a abordagem de um assunto muito comentado, porém, pouco praticado. As balanças, não conseguem ponderar o social, com o econômico e o ambiental. São itens que sofrem com o vento da ganância. A conciência, a sabedoria e a lucidez sofrem muito com esses ventos..... As vezes um tenta enganar o outro... e o capitalismo onde se escondeu????

Leandra Barra em 26/01/2011:
Não dá para falar da sustentabilidade somente abordando por um só dos tripés. Estou pesquisando sobre DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁBEL: ASPECTOS SOCIAIS e é realmente maravilhoso encontrar um artigo como este.. claro e simples.

 
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