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15/06/2009
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Qual a sua parcela de Responsabilidade Social?

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

Quando se fala em Responsabilidade Social, para muitas pessoas logo vem à mente o papel das entidades governamentais que de uma forma ou de outra devem cumprir o seu dever e atender às necessidades da sociedade. Não há nada de errado em ter esse pensamento. No entanto, após o fim da Segunda Guerra Mundial, no Continente Europeu uma nova conscientização passou a fazer parte da vida das pessoas: a comunidade também deveria contribuir para a reconstrução da Europa. Isso, contudo, não poderia acontecer apenas pelas ações governamentais. Tornou-se preciso a presença da sociedade civil e o apoio empresarial.

Naquela ocasião de reconstrução, quase que paralelamente, essa nova visão passou a se tornar presente em países como França, Bélgica, Espanha, entre outros. No Brasil, foi na década de 70 que a Responsabilidade Social passou a dar os primeiros passos e, hoje, muitas organizações fazem questão de deixar claro o trabalho que desenvolvem na área. Vale ressaltar que é fundamental não confundir Responsabilidade Social com ações de filantropia - que corresponde basicamente a uma ação social que ocorre fora do meio corporativo e que beneficia a comunidade nas mais variadas formas e organizações como, por exemplo, conselhos comunitários, organizações não-governamentais, associações comunitárias, dentre outros.

Segundo o Instituto Ethos, Responsabilidade Social empresarial deve ser compreendida como a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.

Uma empresa que tem se engajado em ações de Responsabilidade Social é a Magneti Marelli, que desde 2004 aderiu ao Projeto Formare (www.formare.org.br) e que hoje mantém cinco de suas unidades envolvidas diretamente com a iniciativa: Amparo, Mauá, Hortolândia, São Bernardo do Campo, todas essas no Estado de São Paulo, além de Lavras, localizada em Minas Gerais. A iniciativa foi criada em 1988, dentro das empresas Iochpe-Maxion S.A. em Canoas (RS) e São Bernardo do Campo (SP) como uma oportunidade de formação profissional dada a jovens de baixa renda na própria empresa. Atualmente, o Formare é considerado um modelo de educação profissional dentro de organizações, transformando-se na primeira franquia social do Brasil e se multiplicou para diversos ambientes empresariais.

De acordo com Giusepe Giorgi, diretor de Recursos Humanos do Grupo Magneti Marelli no Mercosul, a empresa apoiou esta iniciativa por enxergar nela uma possibilidade de ajudar as comunidades onde as fábricas da companhia estão inseridas. Dessa forma, a companhia transformou o projeto em seu principal programa de Responsabilidade Social no Brasil.

O Grupo Magneti Marelli é de capital italiano e está presente no Brasil desde 1978. É dividido em seis unidades de negócios: Powertrain (componentes e sistemas de injeção eletrônica e sistemas de gerenciamento eletrônico do câmbio), Sistemas Eletrônicos (responsável pela produção de centralinas de gerenciamento de bordo e de quadros de bordo, também conhecidos como painéis de instrumentos, módulos eletrônicos, rastreadores e telemática), Automotive Lighting (faróis e lanternas), Amortecedores (que abrange as linhas de sistemas de suspensão, amortecedores, camisas de cilindro e sinterizados), Sistemas de Escapamentos (fabrica e comercializa produtos da marca Kadron, uma das mais tradicionais do segmento) e After Market (responsável pela comercialização dos produtos Magneti Marelli, Cofap e Kadron no mercado de reposição Mercosul). Com cinco centros de pesquisa e desenvolvimento, nove plantas industriais desenvolvidas na região Sudeste do país e cerca de sete mil colaboradores.

Participação dos funcionários - A Magneti Marelli investe no programa e o mantém ativo em suas unidades, pagando a taxa de administração para a Fundação Iochpe - coordenadora do Formare, mantendo a sala de aula e aparelhos - o que permite que a iniciativa funcione da maneira mais adequada possível. Contudo, são os colaboradores da Magneti Marelli que realmente fazem o projeto acontecer. São eles que planejam as aulas, desenvolvem as atividades e programam eventos. Ou seja, eles vivenciam o programa no dia-a-dia, dentro e fora da empresa.

Com isso, os funcionários conseguem que o projeto seja discutido e comentado em todo o círculo de pessoas que conhecem. Destas outras pessoas, surgem dicas e novas ideias, tornando a iniciativa cada vez mais conhecida e admirada pela própria sociedade, mostrando o papel transformador que o trabalho oferece. "Atualmente, cerca de 360 funcionários trabalham voluntariamente no programa, dos mais níveis hierárquicos", complementa Giusepe Giorgi.

Divulgação do Formare - Mesmo o Formare já sendo um projeto de Responsabilidade Social reconhecido em vários Estados do Brasil, ao aderir à iniciativa, a Magneti Marelli realizou todo um trabalho para mostrar aos seus colaboradores a importância de participar das ações que seriam desenvolvidas. Para isso, a empresa recorre constantemente aos canais de comunicação interna.

"Entendemos que qualquer ação ou novidade que envolva o programa é interessante e passível de comunicação, já que ao entenderem melhor o que é e admirarem a iniciativa, conseguimos engajar mais pessoas. Os canais de comunicação utilizados para a divulgação do projeto são os mais diversos como, por exemplo, quadro de aviso, jornal mural, apresentações face a face, revista e até mesmo nossa newsletter. Cada recurso desse é voltado para um público específico da empresa", explica o diretor de RH, ao acrescentar que depois que a organização aderiu à iniciativa foram observadas mudanças no meio organizacional.

Benefícios do voluntariado - Quando Giusepe Giorgi cita mudanças, ele se refere aos benefícios diretos e indiretos depois que os funcionários passaram a atuar diretamente em atividades de Responsabilidade Social. Ele comenta que o através da participação em ações voluntárias as pessoas têm a oportunidade de adquirir conhecimentos, uma vez que estão em contato direto com a realidade e a história de vida dos alunos. Isso, por sua vez, permite que os colaboradores coloquem-se na postura de cidadão, bem como de agente transformador da sociedade.

Outro fato interessante é que ao se tornarem voluntários para ministrarem os cursos aos menores participantes do Formare, muitos profissionais voltaram a estudar para estarem aptos para preparar as aulas que vão ministrar. Desta forma, o projeto também estimula a educação entre os colaboradores da empresa. A relação profissional entre áreas é facilitada, já que as aulas são elaboradas e ministradas por mais de um colaborador por disciplina. Essa interação no programa, por sua vez, ajuda na troca diária entre os departamentos de forma mais efetiva que com cursos de team building. "Com relação ao público externo, conseguimos fortalecer a mensagem de que a Magneti Marelli é uma empresa preocupada em desenvolver as comunidades onde está inserida, apoiando e desenvolvendo programas como este, que propiciam uma melhora de vida significativa das pessoas, bem como o desenvolvimento regional", enfatiza Giusepe Giorgi.

Quando questionado se a participação dos profissionais influenciou o clima organizacional, o diretor de RH responde afirmativamente. Isso porque, ao atuarem como educadores voluntários, os funcionários "misturam-se" todos em prol de uma única causa: ajudar no processo de formação e educação dos jovens. Neste processo, as relações modificam-se e extrapolam os limites do programa, perpetuando-se no dia-a-dia da empresa, tornando o clima da organização melhor. A consequência é clara: gente mais "gente" e feliz produz mais e melhor, impactando no resultado da empresa.

Ao atuarem em ações de Responsabilidade Social, os funcionários da Magneti Marelli fortalecem o espírito de equipe.

Participação da área de RH - Para que o Projeto Formare ganhasse espaço na empresa, a participação da área de RH foi fundamental, para que os funcionários se tornassem voluntários. Giusepe Giorgi comenta que a coordenação da área de Responsabilidade Social do Grupo Magneti Marelli é realizada por uma gerente de RH responsável por angariar o apoio de colaboradores de toda a empresa. A partir daí, os colaboradores ajudam nos programas, participam de comitês que discutem as ações sociais da corporação. Com isso, a área de RH estimula as pessoas a entenderem as razões que levam a organização investir em ações de responsabilidade social. Isso culmina na geração de sinergia entre todas as áreas e níveis hierárquicos da empresa, gerando um verdadeiro trabalho em equipe.

Importância da Responsabilidade Social - Ao ser indagado sobre a importância das organizações adotarem iniciativas de Responsabilidade Social, Giusepe Giorgi enfatiza que diferente de ser assistencialista, uma empresa socialmente responsável deve estar comprometida com mudanças estruturais na sociedade, especialmente nas regiões em que está instalada. Esse novo modelo de gestão, por sua vez, ganhou força nas duas últimas décadas e passa a fazer parte do diferencial de companhia. No caso específico da Magneti Marelli ele diz que a empresa entende o quanto é importante destacar-se não só como um sucesso nos negócios em que atua, mas também atuar com a preocupação com os impactos sociais e ambientais decorrentes de sua atividade no país.

Na opinião de Giusepe Giorgi, através de ações como a desenvolvida pelo Formare é possível colaborar efetivamente para formação de uma sociedade melhor. Isso pode ser comprovado na prática, pois as regiões beneficiadas pelo projeto passaram a ser mais valorizadas, uma vez que essas localidades passaram a contar com uma mão-de-obra mais qualificada, os índices de criminalidade diminuíram e houve aumento da renda, já que ex-alunos do projeto ingressaram no mercado de trabalho.

Por fim, o diretor de RH afirma que se alguma organização ainda insiste em não investir em ações de Responsabilidades, antes deveriam observar atentamente a iniciativa. "Sugiro que se analise apenas um dos jovens atendidos por nossas escolas Formare e calculem o quanto aquela oportunidade foi importante para sua vida. Proporcionalmente, com certeza foi muito mais do que a Magneti Marelli tenha investido até hoje", conclui.

Palavras-chave: | Magneti Marelli | Projeto Formare | Giusepe Giorgi | cidadania |

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COMENTÁRIOS (2)
Cris Meinberg em 17/06/2009:
Cara Patrícia, parabéns pela matéria. Fico a disposição para contar mais um pouquinho sobre o Formare. Acredito que empresas estejam a procura de bons Projetos. Vale a pena conhecer.

Fátima em 16/06/2009:
Sou educadora voluntária no Formare e de verdade é uma satisfação, em meio aos diversas tarefas, muitas vezes "sem tempo" para concluí-las, poder pensar nas aulas de Fundamentação Numérica, em como abordar os diversos assuntos com a sala e ainda, quando termina a aula, sentir a sensação de que mais do que ter ensinado, eu aprendi muito... aprendi principalmente que compartilhar é muito bom!

 
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