A Lei Federal 8.213/91 que estabelece a contratação de pessoas portadoras de deficiência é sem dúvida uma porta de oportunidade que se abriu para muitos profissionais, que devido a limitações - sejam físicas ou mentais - os impedem de ter uma maior chance de empregabilidade no mercado de trabalho. Se por um lado, a conhecida Lei de Cotas trouxe esperança para esses trabalhadores, também gerou a possibilidade das companhias apostarem na diversidade entre os funcionários. Vendo-se por esse prisma, os dois lados ganharam com a iniciativa do Poder Legislativo.
A Lei de Cotas alterou a vida das empresas que têm a partir de 100 colaboradores, uma vez que determina que a companhia destine um percentual mínimo de 2% do quadro de vagas aos portadores de necessidades especiais (PNEs). No entanto, hoje, observa-se muito que as companhias argumentam que sentem dificuldades para encontrar PNEs capacitados para assumirem as vagas reservadas a eles. Então, o que deve ser feito para resolver esse impasse? As soluções estão sendo apresentadas por algumas companhias.
Formação para profissionais com deficiências, através do desenvolvimento de um modelo de treinamento originado de um programa pedagógico que atenda a demanda dos PNEs em todas as empresas do grupo. Esse é o principal objetivo da Universidade Positivo (UP), que instituiu o Projeto Incluir em abril de 2009 - iniciativa que capacita trabalhadores para atuarem em várias áreas. A UP foi criada em 1988 e é uma instituição de Educação Superior que pertence ao Grupo Positivo no segmento educacional. Atualmente, conta com 27 cursos de graduação, dezenas de MBAs, três programas de mestrado e um de doutorado, além de atividades de extensão.
O projeto - Segundo Rejane Vargas Antunes, coordenadora de RH, o Projeto Incluir possui uma duração de 180 horas, onde todos os participantes estudam conteúdos relacionados a temáticas como: ambientação interna, saúde ocupacional, segurança no trabalho, ginástica laboral, convivendo com a diversidade, elaboração de currículo, áudio e vídeo, rotinas administrativas, português instrumental, comunicação empresarial, informática e desenvolvimento interpessoal. Os alunos do projeto também participam de visitas a setores e a espaços da Universidade Positivo, além de outras empresas pertencentes ao Grupo Positivo.
"Nosso público-alvo são pessoas portadoras de deficiência física, mental leve e auditiva", explica a coordenadora de RH, ao acrescentar que quem participa do Projeto Incluir não tem assegurada uma vaga de trabalho. Essa condição é informada já durante o processo seletivo. O projeto da UP, vale salientar, não tem o caráter exclusivo de preenchimento de vagas, mas a capacitação do deficiente para cargos efetivos. Caso o participante obtenha um nível de aprendizado adequado, ao fim do programa, ele pode ser absorvido pelas empresas do Grupo Positivo ou mesmo por outras companhias. Neste sentido, a Universidade Positivo mantém convênio com mais de 30 organizações que também podem se interessar pelos profissionais capacitados pelo Projeto Incluir e, consequentemente, contratá-los.
Apenas para se ter uma ideia dos resultados gerados pelo Incluir, na primeira turma do projeto, 17 dos 20 participantes foram absorvidos pelas empresas do Grupo Positivo. Com o aumento do número de alunos do Projeto Incluir, Rejane Vargas explica que sugeriu a criação do Centro de Inclusão - agora, responsável pela coordenação, pelo encaminhamento e logística de todo o processo.
Pré-requisitos - Os interessados em participar do Projeto Incluir passam por um processo seletivo, aplicado pelo subsistema de Recrutamento e Seleção da Universidade Positivo, no qual é realizado um perfil das potencialidades do candidato. A partir desta fase, é definido quem tem maiores possibilidades para participar do projeto. Também são aplicados outros testes para saber em que nível de conhecimento encontra-se o candidato, como atividades relacionadas a conhecimento de informática, redação e outros.
Capacitação de talentos - Com a capacitação, os portadores de necessidades especiais ficam aptos para assumirem cargos em várias organizações. Na UP, por exemplo, são contratados para diversas funções como, por exemplo: assistente administrativo, auxiliar de secretaria, secretário adjunto, inspetor de alunos, zeladores, jardineiros, manutenção e até professores.
Quando a Universidade Positivo efetiva a contratação de um profissional, é dado início a um novo processo que inclui a ambientação do profissional com deficiência. Em paralelo, as chefias de departamento também recebem o perfil do profissional, suas dificuldades e seus potenciais, para depois haver a apresentação dele à equipe em que será integrado.
Até o momento, a UP não identificou a necessidade de realizar adaptações físicas para receber as pessoas com deficiência. "Nosso campus é novo e moderno. Atende as necessidades de locomoção dos deficientes físicos. No entanto, havendo alguma necessidade de modificação estrutural ou espacial no futuro, prontamente iremos fazer as adaptações necessárias", ressalta.
Os benefícios - Ao ser questionada sobre os benefícios que o Projeto Incluir gerou à organização, Rejane Vargas ressalta que primeiramente a iniciativa fez com que todos os colaboradores da UP se interessassem pela iniciativa, valorizando o potencial, a ideia e a execução. "De certa forma, podemos dizer que houve um envolvimento completo dos colaboradores com a ação, mesmo que indiretamente, uma vez que estavam abertos a receber os candidatos e estavam à disposição para ajudas e instruções. Por outro lado, o projeto reforçou a iniciativa e o compromisso de responsabilidade social adotada pela universidade e pelo Grupo Positivo", complementa.
Por fim, a coordenadora de RH comenta que a empresa não sentiu dificuldades na execução do Projeto Incluir. Isso porque a iniciativa foi amplamente discutida e avaliada por uma equipe multidisciplinar - formada pelo reitor, os pró-reitores e os coordenadores de cursos - o que permitiu a identificação de pontos fracos no início dos trabalhos.
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