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10/11/2003
RH » Salários e Benefícios » Artigo Enviar Comentar Compartilhar Imprimir

Débitos do contracheque

Por Erasmo Vieira para o RH.com.br

A maioria dos trabalhadores, ao receber o contracheque, fica se questionando: por que tantos descontos? Algumas vezes, são tantos abatimentos e códigos que o trabalhador não sabe decifrar o que significam.

Pior ainda é quando além dos descontos - como imposto de renda, contribuição sindical, vale-transporte, alimentação, cooperativas, INSS etc. - ainda existem abatimentos de convênios. Nesse ponto, podemos ainda incluir os referentes às farmácias, aos bancos, às financeiras, aos clubes, entre outros.

Já vi casos em que de tantos descontos o funcionário ficava devendo à empresa ao invés de receber dinheiro. O funcionário trabalha por um mês e não tem nada para receber. Esse colaborador tem grande probabilidade de causar problemas para a empresa como acidentes de trabalho, perda de produtividade, saúde abalada e problemas de relacionamento com os colegas e familiares.

Vendo isso, algumas empresas limitam a faixa dos descontos, pois o colaborador trabalha 30 dias e não recebe nada; aliás, ele recebe, porém já gastou tudo antecipadamente. Que motivação tem esse funcionário para continuar trabalhando?

Conheço uma grande empresa que possui uma apostila de 12 páginas, que inclui uma lista de códigos de crédito e débito do contracheque. Essa apostila é usada pelo pessoal de RH e pela Assistência Social para ajudar a decifrar o contracheque. O dono do contracheque não sabe o que significa metade daqueles códigos.

Possivelmente, a empresa onde você trabalha já buscou uma forma de simplificar o contracheque e também evita, ao máximo, os acordos dos chamados "benefícios", que fazem com que o funcionário não receba crédito algum no final do mês.

Agora, o Governo Federal, para diminuir a taxa de juros, regulamentou o empréstimo bancário com o desconto na folha de pagamento (mais um débito para o contracheque). Isso é uma faca de dois gumes. O lado bom é a possibilidade de uma linha de crédito, com juros mais baixos, para o trabalhador consumir ou pagar outras dívidas. No entanto, o empréstimo não é solução para dívidas, pois a pessoa estará apenas trocando dívidas. Muita gente se esquece disso e nos próximos meses voltará a se endividar. O empréstimo descontado no contracheque beneficia o banco, que não terá inadimplência nas prestações.

O lado ruim do empréstimo é que surge mais uma possibilidade do funcionário gastar o dinheiro que não é dele, sem o mínimo planejamento. Hoje, os bancos já colocam isso para todos os assalariados. Basta mostrar um contracheque, que o trabalhador obtém uma conta corrente, cheque especial, cartão de crédito e limites de financiamento.

São facilidades que possibilitam aos funcionários gastarem mais do que ganham durante todo mês. Quanto isso acontece, tudo que é gasto vem acrescido de juros e o trabalhador passa a ter um sócio que são os juros debitados em sua conta todo mês.

Como resolver este problema? Aumento de salário é a solução? Vou fazer uma pequena simulação. Se você receber a notícia que no próximo mês haverá um aumento de 20% no salário, qual será a sua atitude? Eu pergunto: quem no próximo mês, vai guardar pelo menos 10% do aumento?. A maioria das pessoas vai gastar hoje e vai dar um cheque pré-datado, comprometendo o aumento que virá daqui a 30 dias. O ciclo de gastos errados continuará.

Ganhar mais, almejar uma promoção ou um aumento de salário todo mundo quer, porém se a pessoa que não sabe controlar o que está ganhando hoje, passará a ganhar mais amanhã e ficará com os mesmos problemas financeiros. Nesse momento, há uma corrida ao RH ou para a assistente social, procurando por ajuda.

Agora, no final do ano, os bancos já anunciam a antecipação do 13º ou até mesmo a antecipação da distribuição dos lucros. Muito cuidado com estas facilidades. Isso pode ser um benefício para quem sabe usar ou um problema a mais para o funcionário que está endividado.

Passe uma instrução aos seus colaboradores, para que eles façam um planejamento de final de ano e não entrem na onda do consumismo, do compre, compre, compre e do consuma, consuma, consuma. Lembre a todos que janeiro está aí e é mês de matricula dos filhos, material escolar, férias, IPTU, IPVA etc. Por que não deixar uma parte do 13º para janeiro, pois todos sabem que as coisas apertam? Lembre a eles, que é preferível passar um Natal mais magro, controlando bem as contas do que já entrar em 2004 devendo e buscando apagar incêndios, pois será mais um ano de loucura financeira com cheque especial usado, contas atrasadas e financiamentos até com agiotas.

Passem essa instrução através dos e-mails dos funcionários, do jornal de circulação interna, ponha cartazes, utilize-se de reuniões e palestras para passar educação financeira aos seus colaboradores. Não estimule o comércio dentro da empresa, permitindo que as organizações concedam facilidades de compras aos funcionários, para que eles acabem se endividando mais.

Instrua a todos para que façam as compras à vista e tudo que for levado para casa já esteja pago. Eu,sinceramente, espero que o ano de 2004 seja melhor para todos, se possível, com um aumento no poder de compra dos trabalhadores, porém isso para quem não sabe gastar,]não vale de nada.

Trabalhe na prevenção do endividamento, pois depois que a pessoa já está endividada pode causar problemas para a empresa. Já para o pessoal que está com a corda no pescoço, o RH ou a assistente social vai ter que usar muito jogo de cintura para mostrar ao colaborador que ele tem que tomar atitudes para se reeducar financeiramente. Isso não é fácil, pois vejo um quadro que as pessoas já estão comendo menos para economizar no supermercado, pois as contas de água, luz, escola, estão aumentando sem parar. Porém, sempre existe margem para controlar melhor o gasto. Mostre ao seu colaborador o que ele compra por necessidade e o que é desejo. Cerca de 70% de tudo que compramos é desejo e ai é que existe margem para enxugamento dos gastos.

Por pior que esteja a situação, sempre existe uma forma de organizar melhor as finanças e buscar o bom controle do orçamento, pois a vida financeira é só uma. Não se pode apagar e começar outra. Por mais rasgada, amassada a vida financeira do colaborador não será dando um tiro no ouvido que a situação vai melhorar.

Passe orientação e educação financeira a seus colaboradores e suas famílias, para que todos vivam felizes e em paz com o dinheiro que ganham.

Palavras-chave: | financeiro |

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COMENTÁRIOS (2)
Alice Evelin em 02/05/2013:
Gostaria de saber se é obrigatório a empresa repassar o contracheque ao funcionário? O motivo da pergunta é que eu não tenho nenhum, queria ter os anteriores do ínicio de trabalho e a empresa me negou informando que eu devia imprimir de mês em mês que eles disponibilizavam no site. Porém por motivos financeiros eu fiquei sem acesso a internet e não efetuei a impressão, mas ainda assim a empresa sempre negou repassar, com a desculpa de que o funcionário que tinha a obrigação de imprimir, isto é certo? Obrigada!

Maira em 06/10/2011:
Gostaria de saber qual guia do contracheque fica com o funcionário? Original ou segunda via?

 
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