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31/01/2005
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Plano de saúde: benefício e reflexão

Por Josué Bittencourt da Mota para o RH.com.br

No mercado de planos e seguro saúde, costuma-se dizer que este é um benefício que contribui para atrair e manter bons profissionais nas empresas. De fato, no tempo em que havia diferenças entre planos e operadoras essa base de raciocino era válida. Entretanto, a Lei 9.656/98, que regulamentou os planos de saúde, introduziu um nivelamento de condições, alterando profundamente a relação entre usuários, empresas contratantes, prestadores e operadoras.

Para complicar ainda mais essa já fragilizada relação, verificou-se neste período uma acentuada deterioração dos recursos disponíveis na economia, atingindo todos os setores e os participantes do mercado.

Se, por um lado, os recursos das empresas contratantes ficaram escassos, a demanda por maiores contribuições por parte das operadoras tornou imperativa-se, com justas razões. Neste momento, por exemplo, assistimos a uma luta entre médicos e convênios (como termo geral), numa disputa acirrada pelos recursos oriundos das empresas e seus colaboradores, além das pessoas físicas que ainda conseguem manter os pagamentos em dia.

Sem os méritos em torno dessa disputa, fica claro que estamos diante de um bolo que não dá para ser repartido por todos na proporção da vontade de cada um. No meio dessa questão ficam os gestores de Recursos Humanos, pressionados pelos CEO's, pelos seus executivos e pelas empresas de saúde e seus representantes. Todos com razão em suas petições e com convincentes argumentações.

A saída tem sido apregoada por vários consultores do mercado, ainda que se tenha ressalva de acordo com situações particulares: gerenciamento, regulação da utilização, redesenho do plano etc. Obviamente o problema tem origem na limitação dos recursos, o que torna um grande benefício em um grande problema para os gestores das empresas, apesar de sua boa vontade para com seus colaboradores.

Um artigo da revista americana Fortune, por exemplo, apresenta uma análise conjunta do benefício de saúde e aposentadoria, e suas influências no custo dos produtos de duas empresas automobilísticas nos Estados Unidos. Em uma delas, há a indicação de que os planos de saúde e a renda de aposentadoria representavam em há pouco tempo cerca de 900 dólares por veículo fabricado. Pior, prevê-se que esse custo passa a 1.300 dólares por veículo, em 2005. Isto apenas para os funcionários já aposentados. Com isso podemos tomar como objeto de reflexão o quanto isso representa sobre as receitas de nossas empresas ou sobre o preço final de nossos produtos ou serviços.

Não estamos querendo estimular qualquer dos senhores a rescindir os contratos mantidos com suas empresas de saúde ou que se extingam o plano de aposentadoria, tão necessário para aqueles que se dedicam com tanto afinco ao crescimento da empresa. Entretanto, queremos lembrar, mais uma vez, que os recursos não são inesgotáveis e que precisam, por isso, serem geridos com cuidado, profissionalismo e precisão.

Assim, estes benefícios precisam ser encarados na mesma proporção do papel social que assumem, mas também no peso que representa sobre o balanço financeiro de sua empresa. A eleição da empresa contratada tem de ser absolutamente criteriosa e os ajustes - inevitáveis - conduzidos com técnica e pleno conhecimento de suas condições e as de seus fornecedores, cercando-se de parceiros que possam efetivamente contribuir ao atingimento de seus objetivos enquanto gestor de recursos humanos, em primeiro plano, e membro da equipe de gestão de sua empresa.

A relação entre fornecedores e clientes em torno dos planos de saúde começa com a definição dos alvos a serem atingidos com esse benefício. Isto porque, dependendo do perfil de cada interessado, haverá um tipo de provedor mais indicado.

Por exemplo, verifica-se no mercado empresas que desejam implantar cobertura médica para seus colaboradores privilegiando o benefício, tais como o nível de reembolso ou a amplitude da rede referenciada. Outros consideram mais importante o preço proposto pela operadora, ainda que com algum sacrifício do nível de satisfação do público atendido. Por vezes, o preço torna-se mais importante e não permite observar a freqüência e os critérios de avaliação técnica periódica, que pode anular de maneira bastante rigorosa as vantagens iniciais do preço contratado.

Naturalmente que quanto maior o nível de atendimento às exigências formuladas pelo contratante, maior deverá ser o valor da fatura que constará da proposta, que deverá ser estudada com critério.

Não é tarefa fácil o trabalho de eleger uma operadora de plano de saúde para a empresa. Mesmo para profissionais com vivência no mercado as análises comparativas mais completas representam um desafio não muito simples. Para começar, as análises mais adequadas envolve a qualidade da rede referenciada (e não a quantidade ou o tamanho do livro contendo os prestadores), o nível dos valores a serem reembolsados, tanto em múltiplos da tabela de honorários médicos quanto em valores correntes, devendo-se avaliar outros procedimentos além das consultas, normalmente tomada como principal parâmetro.

Nossa experiência tem demonstrado notado que os principais fatores para mudanças de uma operadora são:

* os atendimentos - pouco percebido pelo usuário final, mas que aflige ao gestor de benefícios constantemente;
* os reajustes - mais preocupante aos gestores quanto maior for a participação dos usuários/funcionários no pagamento das faturas;
* problema de atendimento de algum dirigente importante ou seu familiar - o primeiro a ser chamado é o gestor de benefício;
* solicitação de cancelamento por parte da operadora - geralmente em função de algum caso grave com custo elevado.

As pressões não são poucas para o gestor de benefício, freqüentemente chamado para comandar um processo de mudanças de operadoras ou ajustes no plano atual, intermediando as solicitações das empresas, as interpretações e as análises comparativas dos corretores, as preferências pessoais que sempre aparecem neste momento, além das limitações financeiras impostas pelo budget anual. Sem contar no prazo, normalmente exíguo.

Por uma mera questão de desconhecimento, nem todos têm tido a felicidade de poder contar com profissional especializado, que possa auxiliar neste importante processo. Entretanto, hoje é possível acessar serviços de apoio técnico responsável, com visão atualizada do mercado, incluindo as melhores práticas comerciais e gerenciais, a custo compensável, valorizando o trabalho de avaliação das ofertas apresentadas pelas operadoras e seus representantes.

Não há como se enganar. Assim como não há almoço grátis, como se diz, a assistência médica custa caro. Cada vez mais caro. E a participação dos usuários e gestores assume cada vez maior importância para o racionamento dos recursos disponibilizados.

Palavras-chave: | plano | saúde | benefício |

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