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16/10/2006
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Empréstimos com desconto em folha

Por Erasmo Vieira para o RH.com.br

Nesse artigo, quero refletir sobre as vantagens e as desvantagens dos empréstimos com desconto em folha. Esta, vale salientar, é uma modalidade de empréstimos autorizada pelo governo para tentar baixar as taxas de juros cobradas dos clientes.

Uma vez que o pagamento já sai descontado na conta dos funcionários e aposentados, os bancos conseguiram baixar o risco de inadimplência. Numa primeira olhada parece muito bom e as taxas atrativas, porém isso deve ser muito bem analisado antes de ser usado.

Os juros podem ser um dos mais baixos do mercado, só que ainda estão muito altos para a realidade da maioria dos assalariados e pensionistas que estão aderindo aos empréstimos. Como palestrante e consultor de finanças pessoais, tenho recebido depoimentos de vários departamentos de Recursos Humanos dizendo que só agora eles estão realmente conhecendo a situação financeira dos funcionários.

Isso é percebido na prática, pois antes do surgimento desses empréstimos o departamento de RH era procurado somente por funcionários com faixa salarial mais baixa, onde pediam alguma ajuda para suas finanças. Hoje, com esta nova modalidade todas as faixas salariais estão recorrendo aos empréstimos, o que demonstra que o endividamento das pessoas está presente em todos os níveis.

Portanto, todas essas pessoas estão pagando juros aos bancos e às financeiras. Precisamos sempre lembrar que ninguém come juros, bebe juros, dirige juros, assiste juros ou viaja juros. As pessoas, infelizmente, acostumaram-se a viver pagando juros. Isto quer dizer que o poder de compra do salário está sendo corroído. No caso dos aposentados e pensionistas do INSS a situação pode se transformar em um problema futuro. Logo quando foi lançada, essa modalidade de empréstimo podia ser feita até por telefone. Agora, depois que surgiram espertalhões pegando empréstimos em nome de outras pessoas é que a regra mudou.

Antes de tomar o empréstimo, a pessoa deve pensar da seguinte maneira: se ganho R$ 1.000,00 por mês e faço um empréstimo, assumindo uma prestação mensal de R$ 100,00 para pagamento em 36 meses, então, vou receber na verdade durante três anos apenas R$ 900,00 e não os R$ 1.000,00 que eu recebia! Então, vou ter que controlar os meus gastos mensais de modo que se encaixem à minha nova realidade, que é de R$ 900,00. Só que a maioria das pessoas não pensa assim e continua a gastar como se ganhasse os R$ 1.000,00.

No caso dos aposentados e pensionistas a situação é preocupante, pois as correções dos valores das aposentadorias e pensões não têm acompanhado, por exemplo, a correção dos planos de saúde e os aumentos dos remédios. Isso que dizer que daqui a um ou dois anos o orçamento dessas pessoas ficará mais apertado do que já está.

O governo deveria lançar o empréstimo e também campanhas de uso consciente do crédito, para que essas pessoas não tenham sérios problemas no futuro. Como o governo não deve fazer estas campanhas, a área de Recursos Humanos pode orientar seus funcionários sobre o uso consciente do crédito e também a utilização do dinheiro no dia-a-dia.

Quando eu falo em uso consciente de crédito, refiro-me a: fazer um empréstimo com desconto em folha, com uma taxa de juros mais baixa; liquidar o saldo do cartão de crédito ou do cheque especial.

O perigo é se a pessoa usa esse empréstimo com desconto em folha como mais uma modalidade de crédito para trocar de carro, reformar a casa, comprar geladeira, viajar etc. É ai que mora o perigo: usar essa ferramenta como mais uma forma de endividamento. Você RH, mostre para todos os funcionários que mesmo com taxas menores, no total do financiamento o valor dos juros é muito alto e isso vai sair apenas do bolso de quem pegou o empréstimo. Será que a compra ou o gasto é tão urgente assim ou se pode fazer um planejamento para juntar o dinheiro, todo mês, e pagar menos na compra sem juros?

Infelizmente, ainda temos algumas pessoas que dizem que só conseguem realizar seus sonhos se fizerem dívidas. Podem até conseguir, porém a um custo muito alto. Se a pessoa tem a disciplina de guardar a prestação todo mês, por exemplo, consegue comprar e quitar o bem mais rápido, pagando menos juros.

Para realizar essas campanhas não é preciso esperar eventos específicos sobre o tema Educação Financeira. A área de RH pode colocar artigos em jornais, revistas, Intranet ou em qualquer outro canal de comunicação interna. Aproveite eventos com os familiares para falar sobre tema. Essa iniciativa específica dá muito mais resultado quando as esposas estão com os maridos ao lado ou vice-versa. Coloque observações nos contra-cheques e nos quadros de avisos.

Tem muita gente ficando viciada em crédito, só compra a prazo e quanto chega o extrato do cartão toma um susto e vê que o documento está cheio de parcelas, de compras financiadas que a pessoa nem se lembra do que é. Este funcionário ou família acaba pagando juros em quase tudo que compra e compromete seriamente o orçamento mensal.

Algumas empresas possuem programas de orientação e acompanhamento para a aposentadoria. Com minha experiência afirmo que é muito importante, nesse momento da vida do trabalhador, ouvir explicações sobre o tema "Educação Financeira para Aposentadoria".

Os profissionais de RH devem ter muito cuidado e ficar atentos com os convênios que as empresas fazem com lojas, drogarias, supermercado, clubes etc. Na maioria das vezes, o funcionário acaba por gastar o seu dinheiro sem realmente ter passado por sua mão. Faça convênios de descontos. Veja um exemplo: a empresa fez um convênio com a Drogaria Lalalá que possibilita desconto de 10% na compra de todos os medicamento à vista. Isso sim é benefício para seus funcionários, pois nesse caso o dinheiro deles vai render mais e permitir que eles gastem o dinheiro com outras prioridades.

Que todos possam viver em paz com seu dinheiro!

Palavras-chave: | empréstimo | salário |

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