Por Willyans Coelho para o RH.com.br 
Remuneração é algo que desde cedo nós aprendemos que deve ser mantido em segredo, só interessa a você mesmo e a ninguém mais. Nos departamentos de RH, as políticas salariais são tratadas de maneira cautelosa e, muitas vezes, são pouquíssimos os profissionais que tem acesso a tais informações. Tudo em nome da discrição.
No entanto, uma proposta polêmica está em análise na CVM (Comissão de Valores Mobiliários): divulgar a remuneração de cada um dos principais executivos das empresas de capital aberto, incluindo o plano de metas para pagamento de bônus.
Isso já é feito nos EUA e tudo indica que será adotado no Brasil também. Do ponto de vista do mercado de ações, não há dúvida que essa proposta trará mais transparência e segurança aos investidores. Será mais um dado para decisão de investimento.
Mas qual o reflexo disso internamente? Muita gente na empresa até acha que sabe, mas poucos têm certeza acerca da real remuneração dos seus executivos.
Isso torna-se ainda mais relevante no Brasil em função da grande difereça que há nos salários desses executivos em relação aos demais da empresa. Lembro-me que ainda estudante na década de 90, tive acesso à informação de que no Brasil os salários dos presidentes eram 100 vezes maiores do que os menores salários da empresa. Enquanto em países como o Japão, por exemplo, essa diferença era de apenas 10 vezes. Hoje, estima-se que em grandes empresas brasileiras de capital aberto, os presidentes chegam a receber até R$ 3 milhões por ano entre salários e bônus.
São poucas as empresas de capital aberto no Brasil, mas diante da real possibilidade de divulgação, que tal aproveitarmos para refletir acerca dos impactos que a divulgação dos salários na empresa traria às políticas de Gestão de Pessoas? Para iniciar, eu pensaria em três aspectos:
Negociação salarial - Creio que essa será uma informação utilizada por todos os níveis na empresa. É certo que os sindicatos levarão esses dados à mesa de negociação para exercer alguma pressão. Mas não só eles. Imagina o poder que ganhará um candidato a diretor, ou mesmo presidente, que terá informações detalhadas sobre a remuneração de todos os executivos da empresa? Esse é o sonho de todo candidato.
Conflitos de interesses - Muitos diretores devem conhecer a remuneração e as metas dos seus colegas. Se não sabem, imaginam. Mas e a linha logo abaixo, que trabalha diretamente com esses diretores? Nem tanto pela remuneração em si, mas principalmente pela divulgação das metas do diretor.
Impacto na motivação - Para alguns, a informação poderá ser ainda mais estimulante, aumentando o desejo de subir na hierarquia da empresa para atingir tal nível salarial. Para outros, será motivo de comparação que exercerá um efeito de total desestímulo. Acho que seriam poucos aqueles que não teriam interesse em saber tal informação e que, portanto, não traria algum reflexo no seu comportamento.
Bem, são apenas efeitos hipotéticos. Certamente existirão outros, talvez até mais importantes do que esses. Mas uma coisa eu tenho certeza: algum efeito terá, e o RH dessas empresas terá que se preparar para lidar com isso.
Palavras-chave: | remuneração |
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