Por Patrícia Bispo para o RH.com.br 
Em fevereiro de 98, a São Paulo Alpargatas S. A. (parque industrial que possui dez fábricas em sete estados do Brasil) adotou uma nova mentalidade em Recursos Humanos. A empresa implantou em seu Escritório Administrativo, localizado em São Paulo, uma ferramenta chamada horário flexível, onde os funcionários passaram a ter a oportunidade de administrar sua jornada de trabalho. Conversamos com o Coordenador de Administração de Pessoal e Benefícios, Sidney Martins Zacharias para saber mais detalhes. Confira.
RH.COM.BR – Como e por que surgiu a adoção do horário flexível na São Paulo Alpargatas S.A.?
Sidney Martins Zacharias – Em 97 a empresa estava passando por transformações. Na época ocorreu a mudança do controle acionário e a nomeação da nova Diretoria e Presidência. Queríamos inovar e principalmente focar uma nova mentalidade em Recursos Humanos. Todos deveriam propor mudanças em alguns conceitos, uma destas sugestões veio de encontro com o início do rodízio municipal, pois em determinado dia da semana o veículo não pode transitar no horário das 7h às 10h e das 17h às 20h.. Assim, procuramos facilitar a convivência com o rodízio e implantamos o horário flexível, onde o funcionário pode iniciar sua jornada de trabalho às 7h e encerrá-la às 16h..
RH – Qual o perfil do funcionário que utiliza o horário flexível?
SMZ – Todos os funcionários, porém devido ao rodízio de veículos, geralmente esta ferramenta é utilizada pelos funcionários que utilizam veículo próprio como transporte de sua residência para o trabalho e vice-versa.
RH – A empresa determina critérios para que o funcionário não “abuse” da flexibilidade do horário?
SMZ – Sim. O funcionário pode flexibilizar sua jornada em no máximo uma hora. Como nosso horário mestre é das 8h às 17h, o início da jornada só poderá ocorrer das 7h às 9h e o término das 16h às 18h.. Sendo assim, criamos um horário núcleo onde todos deverão estar trabalhando que compreende das 9h às 16h.
RH – Que tipo de benefício o horário flexível trouxe para a empresa?
SMZ – Acreditamos que o maior benefício gerado foi a confiabilidade, ou seja, o funcionário sente a liberdade de criar sua jornada. Quando ele perde a hora, sabe que não será punido com descontos de atrasos em seu pagamento. Porém ele conhece seus limites e acaba participando mais das atividade afins. Neste mesmo momento em que fizemos a implantação do horário flexível, implantamos também o chamado Banco de Horas. Esta sim é uma ferramenta que se bem administrada pode gerar bons resultados para a empresa e para o funcionário.
RH – O que significa Banco de Horas ?
SMZ – Vejamos por dois ângulos. A empresa – se existe em algum momento a necessidade de trabalho em horário extraordinário, em outro momento pode-se compensar estas horas, e vem de encontro com o objetivo de toda indústria, não pagar horas extras e assim diminuir o impacto do custo Brasil. O funcionário - este realiza as horas extraordinárias e pode compensar quando necessita resolver algum problema particular, ou mesmo prolongar um final de semana ou feriado. Existe também a possibilidade de ficar devendo horas para posterior compensação.
RH – O Sr. comentou que o Banco de Horas deve ser uma ferramenta bem administrada. Explique melhor.
SMZ – Quando menciono que esta ferramenta deve ser bem administrada, nada mais é do que a participação de todos no processo, ou seja, quando a empresa necessita, existe uma concordância do funcionário. E quando o funcionário faz sua programação também existe a anuência de sua chefia imediata.
Palavras-chave: | flexibilidade |
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