Uma das maiores barreiras para o aprendizado, a inovação e o crescimento nas empresas é o fato de que sempre fomos educados para ter e defender uma opinião sobre qualquer assunto. Em função disso, criamos "certezas imaginárias" acerca do nosso próprio comportamento, bem como sobre o comportamento dos nossos colegas de trabalho, dos superiores, das equipes, dos clientes e dos fornecedores.
Numa entrevista à revista Exame (A difícil arte da simplicidade, p.142 - Edição 883), quando questionado sobre as barreiras que dificultam a criação de produtos eletrônicos mais simples, Rudy Provoost - presidente mundial da divisão de eletrônicos de consumo da Philips - apontou diretamente o comportamento dos seus funcionários: "
se você fala com um de nossos gerentes de produto ou designers, eles têm opiniões prontas sobre o que o consumidor quer. Minha tarefa é fazer com que eles apaguem essas certezas e passem a observar as reais aspirações das pessoas".
Antes de colocar as pessoas para aprender nas empresas, nós temos que fazê-las com que desaprendem alguns conceitos que não tem qualquer fundamento. A questão é: o que nós temos feito de fato para que a quebra de paradigmas ocorra em nossas empresas a fim de favorecer a absorção de novos conteúdos no processo de aprendizagem organizacional?
Li um artigo do Peter Drucker publicado em 1988 na Harvard Business Review ("O Advendo da Nova Organização), em que ele começou assim: "
Daqui a 20 anos, a típica empresa de grande porte, em comparação com as de hoje, terá menos da metade dos níveis gerenciais e não mais do que um terço dos gerentes". Hoje, 18 anos depois, vemos que ele mais uma vez acertou em cheio.
Por vezes, fico me questionando se ele era um grande futurólogo organizacional, capaz de antever os movimentos das empresas e suas práticas de gestão; ou se pelo fato dele ter escrito isso, as empresas começavam um movimento nessa direção e, por isso, ele sempre acerta.
Infelizmente não há como responder a isso, é o velho enigma do quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Mas uma coisa é certa: seja por um motivo ou por outro, os artigos do Drucker sempre foram certeiros. Se você quer compreender como será a gestão daqui a 10 anos, os artigos de Drucker ainda merecem ser lidos, admirados e respeitados. Quanto mais eu os leio, mais eu me impressiono com a sua incrível capacidade de prever o futuro das empresas.