[ 30 Outubro 2007 ]
Quem aprende: pessoas, equipes ou organizações?
No texto anterior, deixei algumas questões para reflexão. Hoje vou começar a desenvolver os pontos controversos em relação à aprendizagem corporativa.
O primeiro deles diz respeito ao nível em que ocorre tal aprendizagem. Nesse aspecto, encontram-se três abordagens distintas sobre como ocorre a aprendizagem nas empresas:
Individual - Nas organizações, quem aprende são as pessoas. Posteriormente, essa aprendizagem individual seria disseminada por todas as demais pessoas da empresa, através de uma socialização interna do conhecimento.
Grupal - A aprendizagem não ocorre isoladamente, mas através da união das pessoas. Nessa perspectiva, o grupo aprende coletivamente.
Organizacional - Nessa abordagem, as organizações aprendem como um todo, seja através de uma liderança ativa (ao implementar sua visão) ou de uma espécia de memória documental, que estaria disponível a todas as pessoas.
Como se pode observar, a diferença existe no nível de análise da aprendizagem, se começa nos indivíduos e se dissemina pela empresa ou se começa na empresa e se espalha pelas pessoas.
Isso não se trata apenas de uma questão conceitual, do tipo "quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?" Muito pelo contrário, tem implicações diretas sobre as políticas e práticas de educação corporativa.
Para análise dessas perspectivas, deixo as seguintes questões para vocês:
1. Em qual dessas perspectivas você acredita?
2. Com qual dessas perspectivas a sua empresa trabalha?
3. Quais as implicações para o processo educacional nas empresas ao se adotar uma ou outra abordagem conceitual?
[ 23 Outubro 2007 ]
O que é aprendizagem corporativa?
Além do conceito de educação corporativa, que procurei delimitar no artigo anterior, existe também a idéia de "Aprendizagem Corporativa". Aquilo que à primeira vista parece algo simples de entender, nem sempre tem a mesma compreensão pelos diversos profissionais e estudiosos da área.
Primeiro, podemos definir aprendizagem como um processo que gera uma mudança relativamente duradoura no comportamento, através da aquisição de novos conhecimentos. É por isso que não se aprende apenas na escola, em processos formais. A aprendizagem pode ocorrer a qualquer momento, em qualquer lugar. E mais, aprender está relacionado à ação (comportamento) e só é possível verificar se ocorreu alguma forma de aprendizagem quando alteramos a nossa forma de agir em nosso meio. É por isso que apenas adquirir conhecimento não basta, é preciso aplicar o conhecimento adquirido para termos a certeza de que houve uma aprendizagem.
Uma vez definido o conceito de aprendizagem de uma forma geral, vamos partir para a proposta de "Aprendizagem Corporativa". De uma forma direta, poderíamos entender como sendo um processo de mudança ocorridas nas empresas, a partir da sua própria experiência. Parece simples. Quando a empresa muda, é por conta de um processo de aprendizagem pela qual ela passou. Verifica-se que aprendizagem e mudança caminham juntas.
Peter Senge já havia proposto isso quando formulou a idéia de "organizações de aprendizagem" ou "organizações que aprendem", ao sugerir que as empresas que devolvessem uma cultura de aprendizagem constante estariam mais aptas a enfrentar as mudanças ocorridas no ambiente empresarial.
Até aí tudo bem, é fácil compreender o que seria aprendizagem corporativa. Mas onde está a polêmica desse caso?
A maior polêmica não está no conceito de aprendizagem corporativa, mas em "como as organizações aprendem", ou seja, no processo. Nós, humanos, aprendemos utilizando um dos nossos mais valiosos órgãos: o cérebro, com seus neurônios, sinapses, mecanismos de memória etc.
Mas no caso das empresas, elas também teriam cérebro para aprender? Existiria um outro recurso para aprendizagem? Utilizaria os cérebros dos seus funcionários? Você teria alguma idéia de como as organizações aprendem?
Hoje eu apresentei o que seria aprendizagem corporativa, o conceito e a sua importância para as empresas. Mas queria deixar essas questões do "como ocorre a aprendizagem corporativa" para você refletir durante essa semana. Você já havia pensando nisso? Qual a sua opinião sobre o assunto?
[ 16 Outubro 2007 ]
O que é educação corporativa?
Tenho me dedicado intensamente nos últimos dias a estudar sobre educação, ensino e aprendizagem. Sempre gostei muito desses assuntos, mas resolvi explorá-los mais a fundo. Estou lendo pelo menos 10 livros "simultaneamente", além de artigos e sites diversos. Leio algo num lugar, comparo com outro e assim vou construindo meu conhecimento. Vou tentar, aqui no meu blog, compartilhar com vocês alguns dos meus questionamentos.
Nessa jornada, comecei logo pelo tema principal: educação corporativa. Você já parou para refletir sobre o conceito de educação corporativa? Muito tem se falado, algo tem sido feito, mas é você, o que lhe vem à cabeça quando se fala em educação corporativa?
[ tempo para pensar ]
É bem provável que venha à mente palavras como treinamento, desenvolvimento, aprendizagem, sala de aula, professor/instrutor e outros tantos fatores e recursos. Certamente, tudo isso tem a ver com educação, mas vamos refletir mais especificamente sobre esse conceito?
Vamos começar pelo termo educação (vamos deixar o "corporativa" para depois). Como sempre, há várias opiniões sobre o conceito de educação. Eu prefiro a seguinte proposta:
Educação é um processo que envolve ações de ensino e de aprendizagem.
Parece simples, com palavras que ouvimos no dia-a-dia. Mas vamos entender por partes o que se quer dizer com isso?
1) é um processo - Como tal, pode ser planejado ou não, formal ou informal, e realizado nas mais diversas modalidades. Pode ser educação presencial, à distância, continuada, baseada em problemas, no dia-a-dia doméstico, na rua, no shopping e, acreditem, até na escola. E também nas empresas!
2) ações de ensino - Trata-se dos mecanismos de transmissão de conteúdos. O mais comum e mais antigo é a fala. Boa parte do nosso ensino é baseada em ações orais. Seja numa conversa com o chefe ou com um instrutor em sala de treinamento. Mas também existem ações baseadas em leituras, como livros, artigos, sites etc. Além da própria ação psicomotora, através de experiências práticas, estágios, tentativas e erros e outras ações no ambiente real.
3) ações de aprendizagem - Trata-se dos mecanismos de recepção de conteúdos. Nesse ponto, envolve-se todos os processos mentais que ocorrem nas pessoas que estão ligados ao processo de aprendizagem, como percepção, atenção, memória, cognição, motivação e emoção, para citar os principais.
Lembra daquele professor que reclama do fato que ele "ensina", mas os alunos não "aprendem"? Pois daí teremos algo importante a se destacar: não existe educação que envolve ensino, mas não gera aprendizagem. Toda ação de ensino deve ser feita para garantir aprendizagem, senão será inócua, sem resultados. Não adianta transmitir conteúdos se não sabemos como eles serão recebidos pelas pessoas.
Refletindo sobre esses fatores, fiquei com uma questão na cabeça: será que os profissionais de RH dominam essas técnicas de ensino e de aprendizagem para promover a educação nas suas empresas?
Penso que educação corporativa deveria ser o processo de ensino-aprendizagem no ambiente das empresas. Mas de tudo que tenho lido sobre o tema, sempre vejo um forte foco nos processos de ensino (meios de transmitir o conteúdo), mas fala-se muito pouco sobre a forma que esses conteúdos repercutem nas pessoas.
Fala-se em universidades corporativas, e-learning, aprendizagem organizacional, programas de desenvolvimento, estratégias de negócios, aumento de competitividade, e muitos outros fatores de ensino, que certamente permeiam e são importantes para o processo de educação.
Mas onde fica o sujeito alvo de todo esse processo: a pessoa, o profissional. O que devemos fazer para gerar um interesse em aprender? Como os programas devem respeitar seus interesses individuais? Como poderemos ampliar seu conhecimento? Existe limite para aprendizagem? O que devemos fazer para melhorar a memória? Quais os procedimentos que facilitam a mudança de comportamento?
Acho que ainda temos um longo e rico caminho a explorar nessa área. É nele que eu estou seguindo e vou compartilhar com vocês por aqui.
[ 04 Outubro 2007 ]
Wal-Mart pagará indenização de US$ 140 milhões
Para complementar o post anterior, saiu na Gazeta Mercantil hoje que o Wal-Mart terá que indenizar seus trabalhadores do estado da Pensilvânia em US$ 140 milhões, por eles não terem direito a intervalos para descanso e refeições. No estado da Califórnia, a indenização pelo mesmo problema foi fixada em US$ 172 milhões. Como eu disse, será difícil o Wal-Mart tornar-se uma empresa sustentável enquanto não resolver os seus problemas sociais. O tripé é extramamente forte no aspecto econômico, começa a se fortalecer na questão ambiental, mas ainda é muito frágil no lado social.
[ 02 Outubro 2007 ]
O que é sustentabilidade corporativa?
Nunca vi uma empresa ser aberta com data de validade: "vamos começar hoje e fechar as portas tal dia". Na realidade, o que toda empresa deseja é ser eterna. E nesse aspecto, prolongar ou renovar o seu ciclo de vida torna-se essencial. Reinventar-se a cada instante para crescer e prosperar.
Para tanto, a empresa precisa ter um relacionamento equilibrado com todos os agentes envolvidos (acionistas, clientes, funcionários, fornecedores, sociedade etc.). Esse equilíbrio deve ser obtido através de três aspectos importantes: econômico, ambiental e social.
Praticamente todas as empresas sempre cuidaram do seu vigor econômico. Isso se faz desde a revolução industrial. Comprar bem, vender bem e gerar ganhos para os acionistas sempre foi algo trabalhado ao extremo nas empresas. Muitas vezes acima de qualquer coisa.
Mas nem todas dão a devida atenção aos demais aspectos. Questões de responsabilidade social e preocupações com o meio ambiente são recentes no universo corporativo. E nem ao menos foi incorporado por todas as empresas.
É nesse contexto que surge a sustentabilidade corporativa. Pode-se defini-la como a capacidade de satisfazer os interesses dos acionistas sem envolver qualquer tipo de risco ao futuro da empresa. Para tanto, toda a atuação corporativa deve garantir os resultados
econômicos, reduzir o impacto
ambiental e melhorar o seu relacionamento com a
sociedade.
A matéria "O que aprender com a maior empresa do mundo" (Época Negócios, Nº 7 - Set./2007), que apresenta "a revolução verde" do Wal-Mart, pode ser um exemplo para ilustrar esse tripé da sustentabilidade corporativa, e como ele vem influenciando as mudanças nas corporações ao longo do tempo.
EconômicoAté o presente momento, a rede de supermercados americana teve todo o seu crescimento apoiado no padrão de pagar o menos possível ao fornecedor, acima de tudo e qualquer coisa, para obter o melhor preço e vender mais barato ao seu cliente. Cresceu e fez fortuna com esse modelo.
AmbientalMas já começou a perceber que ele não basta. A partir de agora a empresa partiu para uma "onda verde", na qual busca uma maior ecoeficiência das suas lojas, com melhorias nos prédios, nas embalagens dos produtos e nos procedimentos de produção. Produtos em madeira? Só com origem certificada. Peixes? Apenas aqueles capturados em mar com certificação ambiental. E assim por diante.
SocialEu espero que aqui esteja a próxima evolução do Wal-Mart, pois até onde sei, as práticas de gestão de pessoas não são das melhores. Baixos salários, poucos benefícios e alta rotatividade não combinam com uma empresa que deseja prosperar ao longo do tempo. Pensar no aspecto social deve começar "dentro de casa". Não adianta ter programas sociais para atender às demandas da sociedade no entorno da empresa, se não consegue ao menos atender às necessidades da sua própria equipe. É nessa área que a empresa precisará investir para conquistar a sua verdadeira sustentabilidade corporativa.
Para muitos, essa "guinada verde" de muitas empresas não tem a preocupação ambiental por base, mas sim a sua lucratividade. Que seja! O importante é lembrar que só haverá sustentabilidade se os três aspectos forem trabalhados ao longo do tempo. Como qualquer tripé, os aspectos econômicos, ambientais e sociais precisam ser trabalhados de forma integrada, constante e equilibrada. Se um deles enfraquecer, tudo poderá vir abaixo.
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