Nunca chamei meu pai ou minha mãe de "Sr." ou "Sra.". O tipo de relação com proximidade que tenho com meus pais não me permitiriam impor tanta distância. Minha filha segue na mesma linha comigo. Minha equipe também me chama apenas pelo nome.
O fato é que mais do que respeito, utilizar "rótulos" geram diferenças e distanciamento. Existem diversas empresas que se dizem abertas, participativas, integradoras, mas ainda mantêm ritos de diferenciação entre aqueles que detêm o poder e aqueles que não o tem. Seja no título de "Dr. Fulano", no restaurante diferenciado, no bônus diferenciado e por aí vai.
Porém, alguns estão percebendo que esse tipo de distanciamento não combina com os dias atuais. É o caso do Roberto Setúbal, presidente do Itaú (Exame 919, pp 90-92). Veja o e-mail que ele enviou à sua equipe e tire suas próprias conclusões:
"Caros colegas, muitos de vocês me chamam de Roberto. Eu gosto, acho que reflete melhor a proximidade e abertura que quero no ambiente de trabalho ao meu redor. Porém, muitos outros me chamam de 'Dr. Roberto'. Confesso que isso tem me incomodado crescentemente, pois cria uma distância entre nós, inadequada para o mundo de hoje. Assim, peço a todos os funcionários que passem a me chamar somente de Roberto. Acredito que isso ajudará a tornar nosso ambiente de trabalho mais aberto e dinâmico e menos hierárquico, o que vai facilitar a todos a darem sua contribuição para que o Itaú continue em sua trajetória de crescimento através de fortes resultados. Convido todos os diretores a fazerem o mesmo. Abraço a todos, Roberto."Não sei se é "marketing" ou um sentimento genuíno, mas o fato é que essa atitude faz parte de um plano maior de diminuição do peso da hierarquia dentro do banco, bem como a abertura das relações entre os diversos escalões da empresa. Sem dúvida, uma forte mudança de cultura, que envolve ainda avaliação 360º (com parte do bônus atrelado a essa avaliação) e um intenso programa de treinamentos comportamentais para os funcionários.
Há algum tempo venho defendendo a importância do RH na questão da sustentabilidade corporativa. Creio que seja a área que mais poderia contribuir com esse "ainda novo" conceito para as empresas. Digo novo, porque muito se fala, mas ainda pouco se faz.
Pesquisa do Instituto Ethos divulgada no final de maio aponta que a maior parte das empresas brasileiras evoluiu em seu relacionamento com funcionários e consumidores, mas ainda precisam melhorar em relação aos seus demais públicos.
Agora o estudo também apontou algo interessante para gente: em 40% das médias e grandes empresas a área de recursos humanos é a responsável pelos temas relacionados à responsabilidade social e sustentabilidade. Ou seja, já temos muitos profissionais de RH trabalhando com isso. Mas será que os outros 60% estariam prontos para assumir essa atribuição? Precisamos nos preparar melhor para isso.