A proposta de tornar as empresas sustentáveis não vai mudar apenas a forma de fazer negócio, mas também terá reflexos no mercado de trabalho. Um novo estudo divulgado pela OIT estima que os esforços para combater as mudanças climáticas poderiam conduzir à criação de milhões de "empregos verdes" nas próximas décadas.
O relatório intitulado "Empregos Verdes: Trabalho Decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono" afirma que a transformação de modelos de empregos e investimentos como consequência dos esforços por reduzir as mudanças climáticas e seus efeitos geram novos empregos em muitos setores e economias e poderiam criar milhões de novos postos de trabalho tanto nos países industrializados como nos países em desenvolvimento.
O Brasil é citado no relatório: "na atualidade, a reciclagem e a gestão de dejetos emprega cerca de 10 milhões de pessoas na China e 500 mil no Brasil. Espera-se que este setor cresça com rapidez em muitos países frente ao aumento dos preços das matérias-primas".
O relatório completo está
aqui (em inglês) ou
aqui (em espanhol).
Nesta semana, o IBGE divulgou uma síntese dos indicadores sociais apurados em 2007. Destacarei aqui alguns daqueles que considero importantes para os profissionais de RH refletirem:
Escolaridade feminina é maior, principalmente no Norte e NordesteAs mulheres brasileiras nas áreas urbanas do país apresentam, em média, um ano a mais de escolaridade do que os homens. No Distrito Federal, as mulheres apresentam a maior média de anos de estudo no país (10,4). A escolaridade delas é sempre superior à dos homens, principalmente no Norte e Nordeste, com destaque para o Piauí, onde a diferença é de quase dois anos a mais.
Mesmo nessas regiões onde os valores culturais são reconhecidamente mais tradicionais, as mulheres também têm se destacado na condição de pessoa de referência nas famílias. No Norte e no Nordeste, a proporção de mulheres nessa condição, é de 34,7% e 32,1%.
Em 2007, entre os arranjos familiares em que a mulher é a pessoa de referência, 52,9% eram do tipo monoparental (sem a presença de um dos cônjuges). Já nas unidades unipessoais, o percentual de mulheres é maior em decorrência da mais elevada expectativa de vida feminina. Também é interessante observar a baixa freqüência de arranjos familiares com homens na chefia sem a presença de cônjuge (3,3%) e com filhos.
As proporções de mulheres e de homens dirigentes estão menos distantes no Norte e NordesteEm 2007, somente 4,2% das mulheres (contra 5,5% dos homens) estavam ocupados na categoria de dirigentes em geral. Os dados da PNAD, em certa medida, contradizem o senso comum em relação à supremacia dos valores culturais tradicionais na determinação das ocupações assumidas por homens e mulheres do Norte e Nordeste. Nestas regiões, as diferenças entre os percentuais masculino e feminino que ocupam cargos de dirigentes são menores do que nas unidades da federação do Sul e Sudeste onde os valores culturais seriam mais avançados.
Enquanto no Piauí, por exemplo, o percentual delas (3,6%) até supera o dos homens (3,4%), no Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Espírito Santo os percentuais de mulheres dirigentes estão mais de 1,7 ponto percentual abaixo dos mesmos indicadores masculinos. Da mesma forma, os diferenciais encontrados entre homens e mulheres no Pará, Ceará, Pernambuco e Bahia são muito menores do que nas UFs onde os valores culturais, em princípio, não seriam tão determinantes na definição de postos que exigem maior qualificação e autoridade. Uma explicação poderia ser a maior escolaridade das mulheres naquelas mesmas regiões supostamente mais conservadoras.
Em dez anos, sobe de 53,6% para 57,1% o percentual de mulheres entre os universitáriosEm 2007, entre os estudantes de nível superior, 57,1% eram mulheres, um aumento significativo em relação a 1997 (53,6%). No mesmo período, o percentual relativo aos homens caiu de 46,4% para 42,9%. No entanto, ainda existe um expressivo número de mulheres que não sabem ler e escrever, tanto no Brasil (7,2 milhões) quanto em países da América da Latina.
Em alguns países da região, as jovens mulheres tiveram sucesso na alfabetização, comparadas às gerações anteriores. No Brasil e na Bolívia, por exemplo, a taxa de analfabetismo das mulheres de 15 anos ou mais é cerca de 6 vezes maior que aquela encontrada para as mulheres de 15 a 24 anos de idade.
Com 12 anos ou mais de estudo, rendimento-hora dos brancos é 40% maior que o de pretos e pardosAs conseqüências das desigualdades educacionais se refletem nos rendimentos médios dos pretos e pardos, que se apresentam sempre menores (em torno de 50%) que os dos brancos. Mesmo quando são considerados os rendimentos-hora de acordo com grupos de anos de estudo, em todos eles os brancos são favorecidos, com rendimentos-hora até 40% mais elevados que os de pretos e pardos, no grupo com 12 ou mais anos de estudo.
A distribuição das pessoas por cor ou raça entre os 10% mais pobres e entre o 1% mais rico mostra que os brancos chegavam a pouco mais de 25% dos mais pobres e a mais de 86% entre os mais ricos. Por sua vez, os pretos e pardos são quase 74% entre os mais pobres e só correspondem a pouco mais de 12% dos mais ricos. As variações desses percentuais por grandes regiões, embora reflitam as diferenças de distribuição por cor na população como um todo, mantêm as desigualdades.
Há, também, uma diminuição sistemática do percentual de pretos e pardos à medida que aumentam os décimos de rendimentos, com crescimento constante da participação dos brancos. No primeiro décimo, onde estão os mais pobres, aparecem quase 15% da população preta ou parda e apenas pouco mais de 5% dos brancos, sendo que no último décimo, o do mais ricos, esses valores se invertem, encontrando-se quase 16% dos brancos e apenas pouco mais de 4% dos pretos e pardos.
Pesquisa realizada pela MTV com jovens entre 12 e 30 anos, das classes A, B e C, apontou que apenas 40% conhecem o significado do termo "sustentabilidade". Para os 60% que desconhecem o real sentido da palavra, ela estaria relacionada a sustentar-se sozinho, ter um emprego, família ou carro próprio.
Nesta edição, cujo tema central foi a "Preservação do Planeta", apurou-se que os jovens ainda se percebem como pessoas
vaidosas, consumistas e acomodadas. Aspectos esses que não contribuem em nada para a nossa sustentabilidade. Quando questionados sobre seus comportamentos que favorecem o meio ambiente, a maioria afirmou que "não joga lixo na rua" (55%). Tem coisa mais básica do que isso? Reciclagem de lixo (21%), economia de energia (10%) e de água (23%) tiveram poucas citações.
A partir de uma segmentação psicográfica foram estabelecidos cinco grupos distintos de comportamentos em relação ao meio ambiente:
Comprometidos (17%) - conhecem e valorizam as causas ambientais. Praticam seus conhecimentos no dia a dia e valorizam mais do que todos os demais grupos as empresas e produtos ecologicamente corretos.
Teóricos (26%) - depois dos comprometidos, sao os que mais valorizam as causas ambientais. Têm muita informaçao e preocupam-se em nao jogar lixo nas ruas e economizar água e energia. Mas nao estao dispostos a sacrifícios pessoais, como reduzir o uso do carro.
Refratários (20%) - é o grupo que menos valoriza as causas ambientais e que nao faz e nem pretende fazer nada em favor do planeta. Acreditam que a degradaçao do meio ambiente é um problema para ser resolvido pelas próximas geraçoes.
Intuitivos (21%) - nao demonstram domínio do assunto ou consciência ecológica. Nesse grupo a prática, quando acontece, é mais intuitiva. Acham que a linguagem que a mídia utiliza para falar sobre o assunto muito difícil.
Eco-alienados (16%) - sao os que menos conhecem conceitos, fatos e acontecimentos relacionados a preservaçao do meio ambiente. Sao resistentes a reciclagem, nao se preocupam com o futuro dos filhos e contribuem muito pouco para defesa do planeta.
Em suma, temos apenas 17% dos juvens que afirmam estar comprometidos com a sustentabilidade. A grande maioria não está nem aí para o problema. E você, em qual categoria dessas se enquadraria?
Recentemente fui ao teatro com a minha família assistir à peça "A árvore de Julia". Parece estória de criança, quando uma jovem decide morar numa árvore para salvar o bosque próximo à sua casa. Minha filha, com sete anos, adorou a peça e a determinação da menina em salvar sua árvore, na peça, denominada "Condor" - pois a árvore tinha galhos que a faziam voar para longe.
Eu sabia que a peça era baseada numa história real, mas até então não a conhecia. Ontem, lendo um livro sobre sustentabilidade corporativa ("A Empresa Sustentável", de Andrew Savitz), deparei-me novamente com a história da Julia.
O fato real teve início em 1996, na Califórnia (EUA). A empresa Pacific Lumber planejava desmatar um bosque com mais de 60 mil sequoias gigantes. Para evitar o destamento, Julia Butterfly Hill, 23 anos, decidiu escalar uma das árvores para instalar uma placa "Salvemos o bosque" e passar alguns dias lá no alto.
Batizando a árvore de Luna, Julia resolveu viver ali pelo tempo que fosse necessário para salvá-la. No início a empresa endureceu. Ameaçou cortar a arvora com a Julia em cima e mandou até helicópteros sobrevoarem perto da sua cabeça. Foram dois anos em cima da árvore resistindo às pressões. Até que a empresa cedeu e assinou um acordo para preservar a floresta circundante.
Trouxe essa história para ilustrar o poder dos
stakeholders - que seriam as partes interessadas num processo, como clientes, fornecedores, acionistas, funcionários e a comunidade. Nós sabemos da influência que as opiniões, internas ou externas, têm sobre os planos empresariais. Mas esse caso é muito especial, pois demonstra que mesmo um único
stakeholder é capaz de mudar os planos da empresa. Por isso, acho importantes as reflexões sobre como nossas empresas estão se relacionando com seus
stakeholders. E mais especificamente uma questão: como deve ser a atuação da área de RH nesse aspecto?
Uma pesquisa realizada muldialmente pelo "Boston Consulting Group" (BCG) em parceria com a "World Federation of Personnel Management Associations" (WFPMA) apontou que "
Gestão de talentos" e "
Equilíbrio entre trabalho/vida pessoal" são as prioridades dos profissionais de RH do Brasil para os próximos anos. Em resumo, pode-se destacar o seguinte trecho do relatório:
"As duas principais questões citadas foram gerenciar o equilíbrio entre trabalho/vida pessoal e reter talentos, e, como terceiro desafio de RH no Brasil, otimizar a gestão de desempenho e recompensas. Além disso, no Brasil, mais do que nos outros países estudados, os executivos afirmaram nas entrevistas que um tema importante para o futuro seria transformar a área de RH em parceiro estratégico de negócios."A pesquisa foi realizada com 4.471 executivos de RH e de outras áreas em 83 países, sendo 178 executivos brasileiros. Interessante comparar nossas prioridades com as prioridades dos profissionais de RH de outras partes do mundo. Um "Sumário Executivo" do estudo, em português, está disponível
aqui.
Pesquisa realizada pelo
IBASE a partir dos Balanços Sociais publicados por 345 empresas, entre os anos de 1997 e 2005, revelou que o investimento em ações ambientais caíram de uma média de 28 milhões/ano por empresa em 2003 para 20 milhões/ano em 2005 (o índice mais baixo desde 2000).
Aspectos sociais, como a diversidade étnica entre os colaboradores, também não avançaram. Desde 2001, a participação de negros e mulheres nas companhias têm se mantido estável, respectivamente 15% e 30% do quadro total de funcionários.
Diante dos dados da pesquisa, o jornal
Gazeta Mercantil setenciou: "há um enorme distanciamento entre o discurso e o que é feito na prática pelas maiores empresas brasileiras no que diz respeito à destinação de seus investimentos socioambientais".
Confira o relatório completo aqui:
http://www.balancosocial.org.br/